Poesias Completas
Capítulo XIV
Que escrevêra uma vida de Severo,
Obra de grande tomo e de alto fundo;
Que resumia em si a Grecia e Lacio,
E n'um salão fallava como Horacio;
XIV
Disse uma noite á pallida sobrinha:
«Elvira, sonhas tanto! devaneias!
«Que andas a procurar, querida minha?
«Que ambições, que desejos ou que
idéas
«Fazem gemer tua alma innocentinha?
«De que esperança vã, meu anjo,
anceias?
«Teu coração de ardente amor suspira;
«Que tens?—Eu nada,» respondia Elvira.
XV
«Alguma cousa tens!» tornava o tio;
«Porque olhas tu as nuvens do poente,
«Vertendo ás vezes lagrimas a fio,
«Magoada expressão d'alma doente?
«Outras vezes, olhando a agua do rio,
«Deixas correr o espirito indolente,
«Como uma flôr que ao vento alli
tombára,
«E a onda murmurando arrebatára.»
XVI
«—Latet anguis ïn herba...» Neste
instante
Entrou a tempo o chá... perdão, leitores,
Eu bem sei que é preceito dominante