Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 46 de 161

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Poesias Completas

Capítulo XIV

Que escrevêra uma vida de Severo,

Obra de grande tomo e de alto fundo;

Que resumia em si a Grecia e Lacio,

E n'um salão fallava como Horacio;

XIV

Disse uma noite á pallida sobrinha:

«Elvira, sonhas tanto! devaneias!

«Que andas a procurar, querida minha?

«Que ambições, que desejos ou que

idéas

«Fazem gemer tua alma innocentinha?

«De que esperança vã, meu anjo,

anceias?

«Teu coração de ardente amor suspira;

«Que tens?—Eu nada,» respondia Elvira.

XV

«Alguma cousa tens!» tornava o tio;

«Porque olhas tu as nuvens do poente,

«Vertendo ás vezes lagrimas a fio,

«Magoada expressão d'alma doente?

«Outras vezes, olhando a agua do rio,

«Deixas correr o espirito indolente,

«Como uma flôr que ao vento alli

tombára,

«E a onda murmurando arrebatára.»

XVI

«—Latet anguis ïn herba...» Neste

instante

Entrou a tempo o chá... perdão, leitores,

Eu bem sei que é preceito dominante