Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 146 de 161

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Poesias Completas

Soneto de Natal

Do mesmo modo as mysticas sementes.

Nas florestas os passaros, ouvindo

O nome de Jesus e os seus louvores,

Iam cantando o mesmo canto lindo.

Eram as notas como alheias flôres

Que verdejam no meio de verduras

De diversas origens e primores.

Anchieta, soltando as vozes puras,

Achas outra Syão neste hemispherio,

E a mesma fé e egual amor apuras.

Certo, ferindo as cordas do psalterio,

Unicamente contas divulgal-a

A palavra christã e o seu mysterio.

Trepar não cuidas a luzente escala

Que os heroes cabe e leva á clara

esphera

Onde eterna se faz a humana fala.

Onde os tempos não são esta chimera

Que apenas brilha e logo se esvaece,

Como folhas de escassa primavera.

Onde nada se perde nem se esquece,

E no dorso dos seculos trazido

O nome de Anchieta resplandece

Ao vivo nome do Brasil unido.

 

SONETO DE NATAL

Um homem,—era aquella noite amiga,

Noite christã, berço do Nazareno,—