Poesias Completas
Soneto de Natal
Do mesmo modo as mysticas sementes.
Nas florestas os passaros, ouvindo
O nome de Jesus e os seus louvores,
Iam cantando o mesmo canto lindo.
Eram as notas como alheias flôres
Que verdejam no meio de verduras
De diversas origens e primores.
Anchieta, soltando as vozes puras,
Achas outra Syão neste hemispherio,
E a mesma fé e egual amor apuras.
Certo, ferindo as cordas do psalterio,
Unicamente contas divulgal-a
A palavra christã e o seu mysterio.
Trepar não cuidas a luzente escala
Que os heroes cabe e leva á clara
esphera
Onde eterna se faz a humana fala.
Onde os tempos não são esta chimera
Que apenas brilha e logo se esvaece,
Como folhas de escassa primavera.
Onde nada se perde nem se esquece,
E no dorso dos seculos trazido
O nome de Anchieta resplandece
Ao vivo nome do Brasil unido.
SONETO DE NATAL
Um homem,—era aquella noite amiga,
Noite christã, berço do Nazareno,—