Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 128 de 161

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Poesias Completas

Capítulo III

Despem armas de guerra; a paz os

chama

E o seu barbaro rito. Alveja perto

O dia em que primeiro a voz levante

A ave sagrada, o nume de seus bosques, Que de agouro chamamos, Cupuaba

Melancholica e feia, mas ditosa

E benefica entre eles. Não se curvam [29] Ao nome de Tupan, que a noite e o dia

No céu reparte, e ao rispido guerreiro

Guarda os sonhos do Ybake e eternas

danças.

Seu deus unico é ella, a bemfazeja

Ave amada, que os campos despovoa

Das venenosas serpes,—viva imagem

Do tempo vingador, lento e seguro,

Que as calumnias, a inveja e o odio

apagam,

E ao conspurcado nome o alvor primeiro

Restitue. Uso é delles celebrar-lhe

Com festas o primeiro e o extremo canto.

IV

Terminára o cruento sacrificio.

Ensopa o chão da dilatada selva

Sangue de caitetus, que o pio intento

Largos mezes cevou; barbara usança

Tambem de alheios climas. As donzellas, Mal sahidas da infancia, inda embebidas

Nos ledos jogos de primeira edade,

Ao brutal sacrificio... Oh! cala, esconde,

Labio christão, mais barbaro costume.