Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 112 de 161

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Poesias Completas

Capítulo XIV

chega;

Ia a fallar, quando a formosa virgem,

Os lacrimosos olhos levantando,

Um grito solta do intimo do peito

E se lhe prostra aos pés: «Oh! vivo, és

vivo!

Inda bem... Mas o céu, que por nós vela, Aqui te envia... Salva-o tu, se pódes,

Salva meu pobre pae!» Estremecendo,

Nella e no velho fita Nuno os olhos,

E agitado pergunta: «Qual ousado

Braço lhe ameaça a vida?» Cavernosa

Uma voz lhe responde: «O sancto

officio!»

Volve o mancebo o rosto

E o merencorio aspecto

De dous familiares todo o sangue

Nas veias lhe gelou.

XIV

Solemne o velho

Com a voz, não frouxa, mas pausada,

falla:

«Vês? Todo o brio, todo o amor no peito

Te emudeceu. Só lastimar-me podes,

Salvar-me, nunca. O carcere me

aguarda,

E a fogueira talvez; cumpril-a, é tempo,

A vontade de Deus. Tu, pae e esposo

Da desvalida filha que ahi deixo,

Nuno, serás. A relembrar com ella

Meu pobre nome, applacareis a immensa Colera do Senhor...» Sorrindo ironico,

Estas palavras ultimas lhe caem

Dos labios tristes. Ergue-se: «Partamos!

Adeus! Negou-me Aquelle que no campo