Poesias Completas
Capítulo XIV
chega;
Ia a fallar, quando a formosa virgem,
Os lacrimosos olhos levantando,
Um grito solta do intimo do peito
E se lhe prostra aos pés: «Oh! vivo, és
vivo!
Inda bem... Mas o céu, que por nós vela, Aqui te envia... Salva-o tu, se pódes,
Salva meu pobre pae!» Estremecendo,
Nella e no velho fita Nuno os olhos,
E agitado pergunta: «Qual ousado
Braço lhe ameaça a vida?» Cavernosa
Uma voz lhe responde: «O sancto
officio!»
Volve o mancebo o rosto
E o merencorio aspecto
De dous familiares todo o sangue
Nas veias lhe gelou.
XIV
Solemne o velho
Com a voz, não frouxa, mas pausada,
falla:
«Vês? Todo o brio, todo o amor no peito
Te emudeceu. Só lastimar-me podes,
Salvar-me, nunca. O carcere me
aguarda,
E a fogueira talvez; cumpril-a, é tempo,
A vontade de Deus. Tu, pae e esposo
Da desvalida filha que ahi deixo,
Nuno, serás. A relembrar com ella
Meu pobre nome, applacareis a immensa Colera do Senhor...» Sorrindo ironico,
Estas palavras ultimas lhe caem
Dos labios tristes. Ergue-se: «Partamos!
Adeus! Negou-me Aquelle que no campo