Poesias Completas
Capítulo LII
Repara que eu não fallo desse enleio
De uma noite de baile ou de palestra;
Amor que mal agita a flôr do seio,
E ao chá termina e acaba com a
orchestra;
Não me refiro ao simples galanteio
Em que cada menina é velha mestra,
Avesso ao sacrifício, á dor e ao choro;
Fallo do amor, não fallo do namoro.
LII
Eden de amor, ó solidão fechada,
Casto asylo a que o sol dos novos dias
Vai mandar, como a furto, a luz coada
Pelas frestas das verdes gelosias,
Guarda-os ambos; conserva-os recatada. Almas feitas de amor e de harmonias,
Tecei, tecei as vividas capellas,
Deixai correr sem susto as horas bellas.
LIII
Cá fóra o mundo insipido e profano
Não dá, nem póde dar o enleio puro
Das almas novas, nem o doce engano
Com que se esquecem males do futuro.
Não busqueis penetrar n'este oceano
Em que se agita o temporal escuro.
Por fugir ao naufragio e ao soffrimento,
Tendes uma enseada,—o casamento.
LIV
Resumamos, leitora, a narrativa.
Tanta strophe a cantar ethereas