Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 59 de 161

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Poesias Completas

Capítulo LII

Repara que eu não fallo desse enleio

De uma noite de baile ou de palestra;

Amor que mal agita a flôr do seio,

E ao chá termina e acaba com a

orchestra;

Não me refiro ao simples galanteio

Em que cada menina é velha mestra,

Avesso ao sacrifício, á dor e ao choro;

Fallo do amor, não fallo do namoro.

LII

Eden de amor, ó solidão fechada,

Casto asylo a que o sol dos novos dias

Vai mandar, como a furto, a luz coada

Pelas frestas das verdes gelosias,

Guarda-os ambos; conserva-os recatada. Almas feitas de amor e de harmonias,

Tecei, tecei as vividas capellas,

Deixai correr sem susto as horas bellas.

LIII

Cá fóra o mundo insipido e profano

Não dá, nem póde dar o enleio puro

Das almas novas, nem o doce engano

Com que se esquecem males do futuro.

Não busqueis penetrar n'este oceano

Em que se agita o temporal escuro.

Por fugir ao naufragio e ao soffrimento,

Tendes uma enseada,—o casamento.

LIV

Resumamos, leitora, a narrativa.

Tanta strophe a cantar ethereas