Poesias Completas
Capítulo II
Moça christã das solidões antigas,
Em que aurea folha reviveu teu nome?
Nem o eco das mattas seculares,
Nem a voz das sonoras cachoeiras,
O transmitiu aos seculos futuros.
Assim da tarde estiva ás auras frouxas
Tenue fumo do colmo no ar se perde;
Nem de outra sorte em moribundos
labios
A humana voz expira. O horror e o
sangue
Da miseranda scena em que, de envolta
Co'os longos, magoadissimos suspiros,
Christã Lucrecia, abriu tua alma o voo
Para subir ás regiões celestes,
Mal deixada memoria aos homens
lembra.
Isso apenas; não mais; teu nome
obscuro,
Nem tua campa o brazileiro os sabe.
II
Ja da férvida luta os ais e os gritos
Extinctos eram. Nos baixeis ligeiros
Os tamoyos incolumes embarcam;
Ferem co'os remos as serenas ondas
Até surgirem na remota aldêa.
Atrás ficava, luctuosa e triste,
A nascente cidade brazileira,[7] Do inopinado assalto espavorida,
Ao céu mandando em côro inuteis vozes. Vinha já perto rareando a noite,
Alva aurora, que á vida accorda as
selvas,
Quando a aldêa surgiu aos olhos torvos
Da expedição nocturna. Á praia saltam