Poesias Completas
Lagrimas de Cêra
Interrogando em vão, comigo choras!
«Que dôr secreta o coração te opprime?» Dizes tu, «Vem, confia os teus pesares.... «Falla! eu abrandarei as penas tuas!
«Falla! eu consolarei tua alma afflicta!»
Vida do meu viver, não me interrogues!
Quando enlaçado em teus niveos braços A confissão de amor te ouço, e levanto
Languidos olhos para ver teu rosto,
Mais ditoso mortal o céu não cobre!
Se eu tremo, é porque n'essas
esquecidas
Afortunadas horas,
Não sei que voz do enleio me desperta,
E me persegue e lembra
Que a ventura co' o tempo se esvaece,
E o nosso amor é facho que se extingue!
De um lance, espavorida,
Minha alma vôa ás sombras do futuro,
E eu penso então: «Ventura que se
acaba
Um sonho vale apenas.»
LAGRIMAS DE CÊRA
Passou; viu a porta aberta.
Entrou; queria rezar.
A vela ardia no altar.
A igreja estava deserta.
Ajoelhou-se defronte
Para fazer a oração;
Curvou a pallida fronte
E pôz os olhos no chão.