Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 30 de 161

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Poesias Completas

Lagrimas de Cêra

Interrogando em vão, comigo choras!

«Que dôr secreta o coração te opprime?» Dizes tu, «Vem, confia os teus pesares.... «Falla! eu abrandarei as penas tuas!

«Falla! eu consolarei tua alma afflicta!»

Vida do meu viver, não me interrogues!

Quando enlaçado em teus niveos braços A confissão de amor te ouço, e levanto

Languidos olhos para ver teu rosto,

Mais ditoso mortal o céu não cobre!

Se eu tremo, é porque n'essas

esquecidas

Afortunadas horas,

Não sei que voz do enleio me desperta,

E me persegue e lembra

Que a ventura co' o tempo se esvaece,

E o nosso amor é facho que se extingue!

De um lance, espavorida,

Minha alma vôa ás sombras do futuro,

E eu penso então: «Ventura que se

acaba

Um sonho vale apenas.»

 

LAGRIMAS DE CÊRA

Passou; viu a porta aberta.

Entrou; queria rezar.

A vela ardia no altar.

A igreja estava deserta.

Ajoelhou-se defronte

Para fazer a oração;

Curvou a pallida fronte

E pôz os olhos no chão.