Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 132 de 161

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Poesias Completas

A ARTHUR DE OLIVEIRA, Enfermo

fructo;

E é nesse destruir que as suas forças

dobra.

Ama de igual amor o polluto e o

impolluto;

Começa e recomeça uma perpetua lida,

E sorrindo obedece ao divino estatuto.

Tu dirás que é a Morte; eu direi que é a

Vida.

 

A ARTHUR DE OLIVEIRA, Enfermo

Sabes tu de um poeta enorme

Que andar não usa

No chão, e cuja estranha musa,

Que nunca dorme,

Calça o pé, melindroso e leve,

Como uma pluma,

De folha e flôr, de sol e neve,

Crystal e espuma;

E mergulha, como Leandro,

A fórma rara

No Pó, no Sena, em Guanabara

E no Scamandro;

Ouve a Tupan e escuta a Momo,

Sem controversia,

E tanto ama o trabalho, como

Adora a inercia;

Ora do fuste, ora da ogiva,

Sair parece;

Ora o Deus do occidente esquece

Pelo deus Siva;

Gosta do estrepito infinito,

Gosta das longas

Solidões em que se ouve o grito

Das arapongas;

E, se ama o lepido besouro,

Que zumbe, zumbe,

E a mariposa que succumbe

Na flamma de ouro,

Vagalumes e borboletas,

Da côr da chamma,

Roxas, brancas, rajadas, pretas,

Não menos ama

Os hippopotamos tranquillos,

E os elephantes,

E mais os bufalos nadantes

E os crocodilos,

Como as girafas e as pantheras,

Onças, condores,

Toda a casta de bestas feras

E voadores.

Se não sabes quem elle seja

Trepa de um salto,

Azul acima, onde mais alto

A aguia negreja;

Onde morre o clamor iniquo

Dos violentos,

Onde não chega o riso obliquo

Dos fraudulentos;