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Intervenção 4 Júlio
Intervenção 4
Júlio
Isso que o colega disse ilumina um lado curioso. O fato de o bom julgamento significar o constrangimento das nossas sensações a ponto de considerarmos bela até mesmo aquela mulher que nos desagrada, apesar de ser algo de uma cultura antiga, é ainda muito presente na cultura contemporânea. Ao ponto de ser capaz de gerar até mesmo uma espécie de estética do bom julgador.
Por exemplo, imagine um bom juiz. Imparcial, honesto e justo. A imagem estética que dele se faz geralmente é a de alguém que não demonstra afetos. Um juiz muito afetuoso, que abraçasse as partes na entrada da sala de audiências e que contasse piadas obscenas pouco antes ou durante uma sessão de julgamento, seria considerado pelas pessoas como um juiz de capacidade de julgamento bastante duvidosa. Da mesma forma aquele juiz que se mostrasse enfurecido, irascível, emocionalmente descompensado, seria também considerado indigno de confiança como julgador. A imagem estética do bom julgador, ao contrário, requer alguém de movimentos pausados, fala articulada e ponderada. A ponderação, aliás, é uma espécie de elogio comum aos magistrados.
E o que vale para o juiz também vale para o empresário, só que em vez de ponderação, muitas vezes se usa a expressão frieza. Veja a frieza dele! Veja como não se permite abalar diante das circunstâncias! Aquele que se abala diante das circunstâncias julga abaladamente, ao passo que aquele que não se abala não julga subjugado por seus afetos. Só poderia julgar com aquela razão que reconhece os valores. Ele apenas aceitaria como boa uma relação que fosse de fato boa em essência. Não agiria de forma caprichosa. Apenas de maneira boa, eficiente e administrativamente correta.