Somos Todos Canalhas

Clóvis de Barros Filho · Capítulo 29 de 89

Páginas do PDF

Somos Todos Canalhas

Intervenção 2 Júlio

Intervenção 2

Júlio

 

De fato, Clóvis, em seu surgimento o pensamento cristão era revolucionário. Uma revolução muito interessante, pois o valor que se atribui às pessoas deixa de depender de seus dotes físicos e de suas virtudes e passa a depender de suas escolhas, da força de sua vontade de seguir adiante com determinada conduta. Ser alguém valioso, ter uma vida digna e valorosa dependerá somente do indivíduo e de suas escolhas, e não da eventual sorte de a natureza lhe ter dotado com determinadas habilidades. O curioso é que essa ideia, para nós tão antiga e bem conhecida, ainda parece estranhamente revolucionária. Às vezes, cochilamos com relação à perspectiva cristã dos valores. Não digo quanto ao seu conteúdo, mas com relação ao modo de pensar os valores. Quantas vezes não nos flagramos pensando tal como os antigos gregos, estigmatizando algumas pessoas, grupos ou povos como perigosos, incompetentes, inferiores, gente sem virtude por natureza? Quantas vezes não deixamos de avaliar as pessoas de acordo com suas escolhas e atitudes para avaliá-las segundo sua aparência? Eis a base dos preconceitos. De toda uma série de comportamentos que têm como característica avaliar o mundo dividido em dois tipos de pessoas: aquelas que são julgadas pela sua natureza e aquelas que são julgadas pelas suas atitudes. Tendemos sempre a avaliar nós mesmos e aqueles que nos são próximos e queridos pelas suas atitudes, enquanto os que nos são estranhos, distantes ou diferentes, normalmente julgamos por sua natureza.