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Intervenção 11 Júlio
Intervenção 11
Júlio
Além de ser difícil estabelecer um limite para avaliar os efeitos de nossas ações, pelo mesmo motivo é praticamente impossível prever todos os efeitos por elas ensejados. Os desdobramentos de uma conduta são sempre múltiplos e imprevisíveis em termos afetivos. Não apenas não sabemos quais serão todas as consequências de comer um ovo cozido, por exemplo, como não sabemos como ele nos afetará, prazerosa ou dolorosamente. Imagine que você tenha escolhido comer uma pizza de calabresa para jantar. No meio da noite, você acorda com sede, efeito da pizza salgada. Sonolento, levanta-se e vai para a cozinha beber água. Acende a luz e acaba por espantar um ladrão que estava no seu quintal. Assustado, ele foge tão apressadamente que não vê o carro que o atropela. Numa sequência de causas e efeitos, escolher a pizza causou a morte do ladrão, mas, cá para nós, isso era previsível? E ainda que fosse, é possível dizer com precisão o que você sentiria numa situação destas? Você se sentiria culpado ou feliz pelo ocorrido? Esse evento seria um prazer ou uma dor? É fácil dizer, até mesmo de forma bem assertiva, o que você sentirá diante de um caso hipotético. Fácil dizer que não sentirá tentação alguma diante de uma mala de dinheiro que lhe oferecem para fazer algo ilegal, mas o fato é que você somente saberá se ficará tentado ou não na hora em que realmente houver uma mala recheada de dinheiro à sua frente. É difícil avaliar nossos afetos antes de eles serem efetivamente provocados.