Somos Todos Canalhas

Clóvis de Barros Filho · Capítulo 64 de 89

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Intervenção 5 Clóvis

Intervenção 5

Clóvis

 

Um dado interessante: Mill observa não haver prova ou demonstração do acerto de sua teoria. Como provar que o único bem de valor intrínseco é essa combinação de presença de prazer e ausência de dor? Aliás, ele observa que nunca haverá prova do valor fundamental das coisas. No entanto, o filósofo afirma existirem fortes indícios de que ele esteja certo. Ele considera que intuitivamente sua proposta é pertinente por acreditar que quando nos perguntamos sobre o valor de uma coisa, no fundo estamos perguntando o que as pessoas consideram desejável. Ao estabelecer essa correspondência, Mill observa que deve ser considerado de valor positivo aquilo que as pessoas efetivamente desejam.

E para Mill é muito fácil saber o que as pessoas desejam. Basta perguntar. Eis a única prova que podemos ter do que é desejável e, portanto, dotado de valor no mundo. Ora, vale aquilo que as pessoas querem ter perto de si, aquilo que elas querem possuir, chamar de seu, e não vale aquilo que elas desprezam, rechaçam explicitamente.

O pensador inglês está convencido de que a proposta hedonista da busca do prazer e da diminuição da dor corresponde à perspectiva do que ele chama em inglês de every man, em francês seria monsieur tout le monde e, para nós, a perspectiva consagrada pelo senso comum. Em outras palavras, Mill sugere que se você sair às ruas e perguntar aos passantes o que eles querem, as pessoas dirão: “Eu quero aquilo que causa prazer e diminui a dor.” Portanto, elas apontarão como valioso aquilo que é prazeroso e também aquilo que suprime a dor. E se você tentar ir um pouco além e perguntar por que essas coisas valem para as pessoas, por que são importantes, segundo Mill, em última instância, elas dirão que as coisas valem na medida em que as fazem felizes. Na medida em que lhes proporcionam prazer.