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Intervenção 4 Clóvis
Intervenção 4
Clóvis
Ora, caro Júlio, quando o valor é atribuído a partir de uma referência que se impõe a todos, que se pretende universal, antes de mais nada isto quer dizer que este valor não depende de nenhuma outra variável. Não está condicionado por nada. Não importa a pessoa que esteja atribuindo valor, seus afetos, sua cultura, o lugar e a época em que foi socializado. Tampouco importam as experiências vividas, aquelas que continuam em plena memória e as esquecidas em algum porão da inconsciência. Nada interfere.
A título de exemplo: um homem encontra uma mulher e julga a sua beleza. Este juízo resultará de uma operação intelectual que implica o conhecimento da ideia de um corpo feminino belo. Esta ideia, por sua vez, está contaminada por outra que é a ideia de belo simplesmente, o belo desencarnado. Ora, esse juízo independeria dos afetos do julgador ante a mulher avaliada, juízo imune ante a eventual tristeza ou alegria desencadeada pelo corpo observado. Assim, essa mulher por juízo seria bela mesmo que desagradasse. Da mesma maneira, você poderia julgar boa ou justa uma conduta que te causa repugnância, que te causa aversão. E você teria que julgar como verdadeira uma assertiva com a qual a sua perspectiva de percepção do mundo não se alinha. Veja que fantástico. Evidentemente isso nos mostra que esta forma objetivadora de atribuição de valor nos impõe uma grade em relação à qual temos apenas que nos curvar.