Somos Todos Canalhas

Clóvis de Barros Filho · Capítulo 36 de 89

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Intervenção 6 Clóvis

Intervenção 6

Clóvis

 

É importante ressaltar, Júlio, que o respeito às leis e aos mandamentos não é propriamente questionado por Jesus. O que a rigor ele propõe no começo do “Sermão da Montanha” é que esse respeito não basta. A mera observância estrita da lei é insuficiente para a salvação. O que haveria, então, de mais importante? Qual a condição de uma vida bem vivida antes da morte? É o amor. O amor ágape. Sem delinear seus contornos ficamos amputados do que há de mais rico na teoria cristã do valor.

Antes de mais nada, é preciso entender que este amor que sentimos uns pelos outros é uma espécie de extensão do amor de Deus por nós. E sua plena compreensão enfrenta questionamentos importantes. O primeiro deles: se Deus nos ama tanto, porque tanto mal no mundo? A famosa pergunta: se Deus existe, como explicar o mal? Tal questionamento é enfrentado num primeiro momento por Leibniz, filósofo alemão do século XVII. E mais recentemente por Simone Weil, filósofa francesa que terminou seus dias em Londres em meados do século XX.