Somos Todos Canalhas

Clóvis de Barros Filho · Capítulo 25 de 89

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Intervenção 12 Júlio

Intervenção 12

Júlio

 

Bem observado, Clóvis. Para os antigos gregos, beleza estava associada à reprodução da harmonia, de tal maneira que fazer da vida o objeto de sua obra de arte era tido como algo possível, desde que a sua vida estivesse em harmonia com o cosmos. Assim como a matéria-prima do escultor é a argila ou o mármore e a matéria-prima do pintor são tela e tintas, a matéria-prima de qualquer um de nós deveria ser a nossa própria existência, incluindo aí também o nosso corpo. “Nada em demasia” é o que se via escrito no umbral do templo de Apolo, como uma espécie de regra moral da existência. Nem peso em demasia, nem consumo em demasia, nem mesmo escassez em demasia. O equilíbrio e a harmonia eram tidos como um grande valor existencial. Tempos depois, autores como Friedrich Nietzsche e Michel Foucault vão falar não propriamente de uma ética da existência, mas de uma estética da existência inspirada na vida como obra de arte dos gregos.