Somos Todos Canalhas

Clóvis de Barros Filho · Capítulo 38 de 89

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Intervenção 7 Clóvis

Intervenção 7

Clóvis

 

Quero propor ao colega e ao leitor um exercício imaginativo. Suponhamos que Deus pretendesse zelar pela perfeição do mundo eliminando dele todo e qualquer mal, toda e qualquer imperfeição. Neste caso, o mundo seria perfeito, assim como Deus. O mundo seria sua extensão. Ou, se preferir, o próprio Deus. E, portanto, Deus não teria criado nada. Para que ele pudesse criar algo diferente de si mesmo teria que criar algo imperfeito. Nesse sentido, o mal estaria no intervalo entre a imperfeição do mundo e a perfeição de seu criador.

Sendo assim, se Deus é o amor puro, 100% amor, para criar algo diferente dele teve que criar algo diferente do amor 100%. Portanto, o ódio. Se Deus é 100% conhecimento, para criar algo diferente dele teve que criar algo diferente de 100% conhecimento. Daí a ignorância. Se Deus é 100% paz, criou a guerra. Por isso, sempre pairará a pergunta: mas por que criar algo imperfeito, algo diferente de si mesmo? E a resposta é: por amor. Um exemplo elucidativo. Estou dando aula e Deus está do lado zelando pela perfeição daquela. E assim vai dando instruções para que a aula seja perfeita.