Aqui, Agora, Sempre

Catherine Isaac · Capítulo 12 de 85

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Aqui, Agora, Sempre

Capítulo 11

 

 

A dam volta para o escritório para dar um telefonema quando chega uma menina de maiô amarelo e chapéu combinando, segurando a mão do pai e carregando vários baldinhos e pazinhas.

Procuro na bolsa um protetor solar e, quando levanto a cabeça, noto que a adolescente hospedada na cabana na frente da nossa está na mesa vizinha. De óculos escuros, camiseta preta e calça jeans cortada que cobre as coxas finas e pálidas. Está entretida com A metamorfose, de Kafka, que nunca achei que fosse leitura para férias. Ela ergue a cabeça e me vê espiando.

– Oi. – Sorrio, mas ela franze o nariz desconfiada. – Excelente livro. Está gostando?

– Acho que é supervalorizado.

– Ah, é?

– Preferi O processo. É mais engraçado. Sinceramente, sou mais fã do existencialismo.

Ela não espera resposta e volta a enfiar a cara no livro. Abro o filtro solar e então ela olha para mim de novo.

– Vocês estão na cabana em frente à minha nos Estábulos, não é?

– Isso mesmo. Chegamos ontem – digo.

– Nós também. Ainda faltam mais treze dias – ela suspira teatralmente.

– De onde vocês são?

– De Devon. Pelo menos eu sou. Vivo lá com a minha mãe. Papai é de Cheshire.

– Ah, perto de nós. Somos de Manchester.

Por um instante tenho a impressão de que ela vai voltar para o livro, mas ela levanta a cabeça de novo.

– Já ouviu falar de Hampson Browne?

– Não são advogados?

A firma tem um anúncio que é exibido entre os noticiários da TV local.

– Sim. É a firma do meu pai.

– Ele trabalha lá?

– Ele é o Hampson.

Se ela tem orgulho disso, não demonstra.

Meu telefone toca, peço licença, vejo que é o número da Becky e atendo.

– Oi, desconhecida. Como estão as coisas? – pergunto.

– Bem, são dez e meia da manhã e estou contemplando abrir o Sauvignon Blanc, se isso responde à sua pergunta. Mas, mais importante do que isso, como você está?

Isso costumava ser uma pergunta bem direta. Mas levo um segundo para localizar o tom animado na minha voz.

– Estou bem.

– Mesmo?

– Sim, o tempo está ótimo aqui. Faz sol, mas não está quente demais. E tem atividades para as crianças. Um campo de futsal e um parquinho, além disso a piscina é ótima...

Duas vozes agudas explodem no meu aparelho. Reconheço imediatamente os dois filhos mais velhos de Becky, James, de sete anos e Rufus, de cinco.

– MENINOS, PAREM DE BRIGAR! – berra Becky. – MENIIIIINOS!

Isso seguido pelo barulho de passos, portas batendo e silêncio. Quando finalmente ela volta, está ofegante.

– Desculpe.

– Você trancou seus filhos no armário?

– Não, eu é que me tranquei em um, isto é, no armário de sapatos.

Comecei a rir e ela também.

– Estava apenas improvisando, mas esse é um bom escritório. Meio fedido, admito, mas pelo menos consigo ouvir o que você fala. E Poppy gosta porque acha que estamos brincando de esconder.

Poppy é a filha de Becky, de dois anos e meio.

– Olha – continua ela. – Só liguei para perguntar se as cabanas têm secador de cabelo. Ou se preciso botar um na mala.

– A nossa tem dois. Tenho certeza de que na sua será assim também.

– Ótimo. E como vão as coisas com o Adam?

– Ah. Tudo bem.

– Ele continua irritantemente em forma? – ela pergunta.

– Ah, pelo amor de Deus.

– Desculpe. Então ele continua bonitão?

Resmungo e olho para William, esperando que ele não tenha ouvido.

– Você terá de julgar pessoalmente.

– Bem, perdoo tudo dele se conseguirmos ter um minuto de paz nessas férias. Ah... não.

– O que foi?

Ela suspira.

– Os meninos derrubaram uma garrafa com dois litros de leite, o limpador de janelas está na porta e Poppy fez cocô. A diversão não para aqui.