Aqui, Agora, Sempre
Capítulo 81
A dormeço e acordo algumas vezes aquela noite nos braços de Adam, mudando de posição só para sentir o subir e descer suave do seu peito sob meus dedos. A lua alta brilha numa fresta da veneziana e cria sombras misteriosas no quarto.
Não consigo dormir direito porque estou muito excitada com a coisa inesperada e gloriosa que borbulha dentro de mim. Pela primeira vez em anos, estou pensando no futuro com otimismo e uma certeza quase sobrenatural de que tudo vai dar certo, não importa o que a vida trouxer para mim.
Um sorriso se insinua nos meus lábios quando Adam, sonolento, me puxa para mais perto, e quase inconsciente se inclina para me beijar, aperta a boca na minha, ainda de olhos fechados.
– Você está acordado – sussurro.
– Quase. Que horas são?
– Ah, não sei... umas seis da manhã...
A mão dele desliza na pele das minhas costas e eu aperto meu corpo no dele, passo os lábios na parte áspera do seu queixo. Então meu celular começa a tocar.
Levo um segundo para registrar e nós dois paramos ao mesmo tempo. Eu me afasto de Adam, desço da cama e atravesso o quarto para pegar o celular em cima da minha bolsa, embaixo da janela. Eu me atrapalho com ele, meus dedos não funcionam com a rapidez necessária, mas finalmente acerto o botão de atender.
– Papai? – pergunto aflita.
Quando meu pai fala, fica muito claro pelo tremor na voz que essa é a ligação que eu temi esses últimos dez anos.
– Jess, é a sua mãe.