Aqui, Agora, Sempre

Catherine Isaac · Capítulo 50 de 85

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Aqui, Agora, Sempre

Capítulo 49

 

N inguém se torna pai ou mãe esperando gratidão. Por isso quando William me oferece um pequeno buquê perfumado de lilases no dia seguinte, fico quase sem fala.

– Você comprou essas flores? – Pego o buquê da mão dele, incrédula. – Quando foi?

– Quando estava com papai hoje de manhã. Mas paguei com o meu dinheiro – ele acrescenta logo.

– Mas por quê?

Fico tão emocionada com isso que William quase se preocupa.

– Ele disse que você ia gostar. Disse que eram suas preferidas e que seria uma boa maneira de mostrar meu amor por você.

– Oh, meu querido, isso é deslumbrante.

Não resisto e dou um abraço nele, aperto seu corpo ossudo. Ele retribui com um aperto rápido.

– Posso ir agora?

– Ir para onde?

– Lugar nenhum, é que você estava me estrangulando.

Não faço ideia de onde Adam tirou que essas flores eram minhas preferidas – não ganhei flores suficientes para poder me dar ao luxo de ter predileção por alguma, pelo menos não recentemente. William parte correndo para o quarto dele, eu vou até a pia e acho uma jarra azul e branca esmaltada no armário. Encho de água e arrumo as lilases, depois ponho na mesa.

Mesmo com todos os defeitos, Adam estava sempre dando presentes, pequenos símbolos de amor e amizade que mostravam que ele estava contente de ter você na vida dele. E não se limitava a mim. Lembro-me de uma vez que estávamos em Londres, cerca de um ano depois de começarmos a namorar. Paramos para dar uma espiada numa Liberty no Soho e ele pegou uma das gravatas clássicas, de seda estampada em azul-escuro.

– Essa tem o nome do seu pai impresso – Adam concluiu.

Era verdade que meu pai adorava uma boa gravata. Ele ainda tinha uma imensa coleção que ocupava espaço demais em seu guarda-roupa.

– Olha o preço, Adam – eu disse. – Vou pôr na lista dele de Natal.

– Não, tudo bem. Vou comprar – ele resolveu e marchou para a caixa antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

Isso às vezes me deixava furiosa. Eu perdia o sono pensando como íamos fazer para evitar que cortassem nosso gás e ele aparecia com uma nova pulseira para mim, que tinha visto numa loja de antiguidades. Uma parte de mim queria bater nele, outra parte simplesmente adorava a pulseira e tudo que ela representava.

Adam está oferecendo um churrasco na cabana dele para todos nós esta noite, menos Natasha, que saiu com Joshua. Ele chegou para pegá-la há meia hora e a tirou da cabana numa nuvem de colônia fortíssima, contando uma história de como havia acabado de corrigir a pontuação de um colega no Facebook e salvado o fulano de mais constrangimentos.

Vou para o quarto me arrumar e, apesar de não ser difícil, não acho o que vestir. A ideia de sentar ao lado de Simone com seu short curtíssimo não ajuda nada.

Escolho uma blusa de alcinhas floral e fina, que encontro enfiada na mala. Não encontro um ferro de passar na cabana, então sou obrigada a pensar em outras formas de desamassar. Quando estou passando a chapinha de cabelo de Natasha no tecido de algodão, ouço uma batida na porta.

Desligo o alisador, abro a porta e vejo Charlie no degrau.

– Ah, oi! Tudo bem? – eu digo e me esforço para não olhar para o relógio e ver quanto tempo tenho para chegar na cabana de Adam.

– Tudo.

Olho para ele e seus olhos estão tão carregados de desejo que fico meio ressabiada. É como se ele tivesse pensado em mim e corrido para me ver. É claro que isso me lisonjeia, mas aquele olhar é tão intenso que faz com que me afaste um pouquinho.

– O que você está fazendo?

– Bem, no momento estou vendo se consigo passar minha blusa com um alisador de cabelo.

Ele fica calado um tempo e enruga a testa, perplexo.

– Alisador de cabelo?

– Só estava brincando – resmungo uma desculpa esfarrapada.

Ele estica o pescoço para espiar a sala atrás de mim.

– Tem mais alguém aí?

– Todo mundo.

A expressão dele manifesta claramente decepção. Então ele se inclina e toca meus dedos, segura minha mão.

– Não consigo parar de pensar em você.

– PRONTO! – avisa William, irrompendo na sala.

Livro a mão da dele e Charlie olha fixo para mim.

– Ah, vocês vão sair.

– É só um churrasco na casa do Adam.

– Ah. Esperava persuadir William e Chloe a irem jogar futebol ou qualquer coisa para você e eu tomarmos uns drinques.

– Ah, que pena. Podemos fazer isso outra noite – sugiro.

– Eu gostaria disso – William se anima.

A veia latejante na têmpora de Charlie fica mais saltada.

– Certo. Então vou indo. Tenham uma boa noite.

Ele dá um sorriso forçado que não esconde seu desapontamento.