Aqui, Agora, Sempre
Capítulo 73
S ó de ver a desolação nos olhos de Adam já sei que é verdade. Faz sentido do pior e do melhor jeito e, apesar de não precisar que papai confirme a história de Adam, sei que fará isso quando um dia conversarmos sobre o assunto. Não só sobre aquela noite, mas sobre o motivo de ele ter saído dos trilhos. Foi quando mamãe estava fazendo os exames da doença de Huntington, antes do diagnóstico, mas certamente quando eles sabiam o que podia ser.
– Eu não podia trair seu pai – diz Adam. – Por mais bêbado que ele estivesse, tinha o direito de pedir para eu manter segredo. Ele não fez isso por ele, fez por você. Pela sua mãe. Teria destruído vocês.
– Mas Adam, isso mudaria tudo. Foi esse o motivo...
– O motivo de você ter ido embora? – Ele ergue uma sobrancelha. – Não, não foi, Jess. Vamos ser sinceros. Havia dúzias de motivos, e esse foi um deles.
– Um bem grande – retruco.
Adam olha para a luz fraca do sol pelo para-brisa, incapaz de olhar para mim quando fala:
– Eu não queria ser pai porque estava assustado e era imaturo, e não queria admitir nada disso. Eu devia ter assumido e correspondido quando você engravidou. Mas não fiz isso. E piorei tudo depois que William nasceu ficando longe dele.
Mordo a bochecha por dentro.
– Eu demonstrei que você não era bem-vindo.
– Você não disse nada que eu pudesse negar, Jess. Até sua mãe achou que eu devia desaparecer da face da Terra. Eu soube que a coisa estava muito feia para chegar a esse ponto.
Franzo a testa.
– Por que está dizendo que mamãe achava isso?
Ele cerra o maxilar.
– Um dia apareci sem mais nem menos para ver você e William. Ela perdeu as estribeiras comigo. Soltou os cachorros, para ser franco. Eu me dava muito bem com ela antes, e ela sempre foi aquele tipo de mulher que nos faz sentir acolhidos assim que entramos na casa dela. Quando vi o quanto ela me odiava...
– Ela não odiava você, Adam. É verdade que deixou de gostar de você depois daquela noite. Mas esses rompantes... já eram parte da doença. Não era realmente ela.
Ele olha para frente e passa o polegar na parte de baixo da direção.
– Não importa, isso se tornou uma das coisas que me fez pensar que você e eu não daríamos certo. Que eu tinha de me afastar de você e do William, fazer alguma outra coisa da minha vida. Eu fui um idiota.
– Também me arrependo de algumas coisas, eu juro.
De repente fico sem palavras, pensando que Adam carregou esse segredo por tanto tempo enquanto eu nutria aquela raiva imerecida.
– Olha, Jess, eu preciso mesmo ir. Já estou vinte minutos atrasado.
Ele vira a chave para ligar o motor e espera que eu desça do carro.
Mas eu não quero fazer isso.
E em vez disso, estendo a mão e toco no braço dele. Então solto o cinto de segurança e me inclino sobre ele, segurando seu rosto com as duas mãos. Os olhos dele parecem jovens de novo, brilhando de emoção. Começo a beijá-lo suavemente, encostando de leve nos seus lábios, e ele abre a boca e permite que eu mergulhe. Desprendo o cinto de segurança dele.
– O que está acontecendo?
Eu o beijo outra vez, mais fundo, antes de falar com os lábios dele a um centímetro dos meus:
– Por quê? Está reclamando?
– Não – ele diz com a voz embargada. – De jeito nenhum. Aliás, pode continuar.
Ele recosta e olha o relógio.
– Só que... talvez seja melhor depois da minha reunião.
Eu o beijo com mais ímpeto e ele reage imediatamente, me puxa para ele. Então ele para, olha para mim e respira fundo para reclamar.
– Tudo bem – diz ele ofegante. – Que se dane a reunião. Vou enviar uma mensagem dizendo que o pneu furou.
Dou uma gargalhada, Adam arranca a chave da ignição, abre a porta do carro e eu desço atrás dele. Saímos para a grama nos fundos da casa dele, endireitando nossas roupas.
Entramos trôpegos na cabana e a porta fecha com estrondo no nosso rastro. Encosto na madeira e Adam entrelaça os dedos com os meus e desenha uma trilha de beijos no meu rosto e pescoço. Sinto seus lábios quentes na pele, silenciosos e febris. Solto a mão e passo na camisa dele, sobre as costelas, e o desejo cresce em ondas. Seguro a camisa, mas ele é mais rápido, desabotoa os dois primeiros botões e tira pela cabeça.
A visão do seu corpo me faz latejar de desejo. A umidade salgada da pele, as curvas atléticas dos músculos, o cabelo preto que chega até os ombros.
Começo a beijar seu peito, mas Adam levanta suavemente minha cabeça e desabotoa a minha blusa, afasta dos ombros com um olhar pesado, fixo em mim. Nossas roupas formam uma pilha no chão, ele pega minha mão e me leva para o quarto.
Eu não saberia dizer por que o sexo com Adam sempre foi melhor do que com qualquer outro. Talvez ele seja especialmente bom nisso. Mas existe uma alquimia mágica quando estamos juntos, e isso só acontece com ele.
O sol impiedoso entra pelas janelas e Adam faz amor comigo do jeito que sempre fez. Como se fosse a primeira e a última vez. Como se cada momento fosse tão precioso quanto a própria habilidade para viver.