Aqui, Agora, Sempre

Catherine Isaac · Capítulo 77 de 85

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Aqui, Agora, Sempre

Capítulo 76

 

M ais tarde Natasha, William e eu fomos para a área de jogos para encontrar os outros e assistir às crianças numa partida de futebol. Quando chegamos, o campo de terra está imerso numa luz dourada e encontramos um lugar a uma distância segura das bolas perdidas. Natasha puxa uma cadeira e senta, estica as pernas com seu short claro e os pés bronzeados espiam de dentro de uma sandália de couro.

Noto logo que William está ao lado do campo e meio inquieto, vendo as pessoas chegando.

– Vamos lá, tropa. Parece até que estou pastoreando gatos!

Becky e seu clã surgem da floresta daquele jeito de sempre quando se locomovem em grupo: barulhentos, desgarrados – um filho na frente e dois atrás, enquanto os pais tentam mantê-los andando mais ou menos na mesma direção. Poppy nos vê e, com uma explosão de energia, corre para meus braços e senta no meu colo.

William cutuca meu ombro.

– Acho que vou nadar em vez de jogar.

Solto um gemido.

– Viemos a pé essa distância toda e você deixou suas coisas de piscina na cabana.

– Tudo bem, então acho que vou jogar no meu iPad e...

– Mas James e Rufus vieram jogar também. Você não vai ficar aqui sentado com o seu... meu iPad agora.

William começa a morder o lábio e James aparece ao lado dele.

– Eu também não quero jogar futebol.

Cai a ficha.

– São aqueles meninos malvados de novo? Posso ir até lá e falar com eles, se vocês quiserem.

– NÃO! – respondem os dois, tão assustados que daria para imaginar que eu estava ameaçando distraí-los correndo nua pelo campo.

Os dois voltam para perto dos outros meninos resmungando que podem resolver isso, e vão para o jogo. O resto de nós chega para frente para deixar clara nossa presença impositiva olhando atentamente para eles.

– Não está com Ben hoje? – Becky pergunta para Natasha.

– Só quando terminar o trabalho dele. Ele resolveu que quer cozinhar para mim, por isso nós...

Ouvimos uma berraria e aplausos e, quando olho para o campo, William está correndo de braços levantados, aquela pose de messias típica do gol marcado no último minuto da final da Copa do Mundo.

– Que gol lindo! – Seb sorri de orelha a orelha.

Levanto e olho furiosa, desejando ter um botão para rebobinar o filme.

– Foi o William?

Ele engasga de tanto rir.

– Não me diga que você perdeu.

– Você viu, mamãe?

O rosto do meu filho é uma visão de felicidade infinita.

Levanto de um pulo e bato palmas com tanta força que minhas mãos ardem.

– INCRÍVEL, filho. Lindo!

Afundo na cadeira e Becky debocha de mim:

– Nunca se candidate ao curso de teatro com um desempenho desses...

– Não diga isso, talvez eu me safe dessa – respondo pelo canto da boca.

– O que diabo está acontecendo agora?

Olho rápido para o campo para o caso de perder outro exemplo milagroso de desempenho esportivo do meu filho. Mas Becky não está olhando para William. É um dos meninos maiores que está dizendo alguma coisa desagradável para James.

– Meu Deus... aquele é o menino que implicou com eles outro dia? Pensei que tivesse acabado...

– Parece que não.

Becky levanta furiosa. Mas não consegue chegar lá em tempo. Antes de se aproximar, alguém já tinha tomado a iniciativa.

– NÃO MEXA COM MEU IRMÃO, SENÃO...

A ameaça de Rufus pode ser vaga, mas o que falta de definição é compensado pela força. Que praticamente sai como fumaça das orelhas dele. Infelizmente, Rufus tem uns trinta centímetros a menos de altura e é alguns quilos mais leve do que o adversário.

O menino reage empurrando Rufus com as mãos no peito dele, com tanta força que ele cambaleia para trás e acaba caindo sentado no chão.

– RUFUS! – grita Becky.

Mas Rufus levanta imediatamente e retalia com um soco na barriga que faz os olhos do garoto saltarem das órbitas.

– Droga, não briguem! Isso não é o faroeste! – berra Becky, puxando Rufus para trás.

Rufus se liberta e sai correndo. Ela segura a mão do filho e o traz de volta para perto de nós.

– Que diabo foi aquilo? – ela pergunta para ele.

– Estavam sendo cruéis com James e eu disse para calarem a boca.

James vem para perto de nós, ofegante.

– Ele disse mesmo, mamãe. Ficou do meu lado. Não brigue com ele.

Becky olha bem para os dois.

– Olha, Rufus, fez bem em defender seu irmão. Mas da próxima vez, não bata em ninguém, ouviu?

Os meninos voltam correndo para o campo de futebol e Becky fala com Seb.

– É nessas horas que penso que nossos filhos podem ser boas pessoas.

– Claro que podem. Mas lembre-se disso quando eles começarem a brigar de novo em dez minutos.

Becky pega a mão de Seb e beija os dedos dele.

– Para que isso? – ele pergunta.

– Só espalhando meu batom.

– Você não está de batom.

Ela olha para ele e sorri.

– Então deve ser porque eu amo você.