Aqui, Agora, Sempre

Catherine Isaac · Capítulo 23 de 85

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Aqui, Agora, Sempre

Capítulo 22

 

 

A chei terrível ter de contar para William que o rafting de hoje com o pai dele havia sido cancelado. Mas ele não fez drama, nem reclamou, nem gritou, não fez nenhuma das coisas que teria direito de fazer. Simplesmente ouviu em silêncio enquanto eu inventava mentiras em favor do pai dele.

– Ele acabou tendo de ir ajudar uma família que tinha perdido os passaportes – eu disse. – Eles não teriam conseguido voltar para casa se ele não fosse lá ajudá-los. Mas seu pai vai fazer algum programa com você em breve.

William retesou o lábio inferior, abaixou a cabeça, e quando eu terminei de dar a notícia, levantou de um pulo, correu para o quarto e fechou a porta. Eu dei a ele um espaço de cerca de dez minutos, depois entrei em ação e organizei um dia fora com Natasha e ele.

Fomos de carro para o Lac du Causse, perto de Brive, que fica a mais ou menos uma hora de distância, e tem uma praia de areia, água limpa para tomar banho e... pedalinhos.

– Está a fim? Foi isso que vovó sugeriu – eu disse para ele animada.

– Humm. Está bem. – Ele dá de ombros, mas só porque o iPad está sem bateria.

William se anima assim que entramos na água. Em grande parte porque deve parecer hilariante uma mulher adulta pedalar que nem doida toda vez que chega a uns seis metros de algum windsurfista. Depois de uma volta no lago pedalando, meus joelhos estão pegando fogo e, nostálgico ou não, sinto um alívio imenso de estar de novo em terra firme.

Enquanto William se entretém juntando gravetos na beira da água, eu me espalho numa toalha de praia ao lado de Natasha e ela mergulha naquele tipo de sono profundo que tem me deixado intrigada ultimamente. Ficamos assim largadas bem umas duas horas antes de voltar para o Château de Roussignol, no final da tarde.

No caminho da cabana, Natasha me cutuca.

– Alguém está acenando para você.

– Oi, Jess! – Charlie está diante da porta da cabana dele, do outro lado do pátio.

– Ah, oi! – Sorrio para ele enquanto procuro minha chave.

– Ele gosta de você – murmura Natasha, e viro a cabeça para ver se William não ouviu.

– Não seja boba – sibilo para ela. – Como pode saber?

– Para começo de conversa, ele está vindo para cá.

Abro a porta e empurro Natasha e William para dentro. Ele entra imediatamente, mas ela resolve que não vai a lugar nenhum.

– Como vai? – pergunto para Charlie quando ele se aproxima.

– Contente porque o sol resolveu aparecer de novo, depois de ontem.

– Ah, é! Esperemos que tenha sido um fora da curva. Essa é Natasha... que acabou de chegar para ficar conosco.

– Muito prazer – diz Natasha examinando Charlie de alto a baixo como se estivesse num salão de automóveis avaliando a pintura em um novo modelo de carro esporte.

– Igualmente. – Ele sorri para ela e se vira para mim outra vez. – Vocês foram ao churrasco familiar ontem à noite? Nós esquecemos que ia ter e fomos jantar fora.

– Foi bom – respondo. – Não sei se Chloe ia gostar, mas William se divertiu.

Os olhos verdes dele se fixam no meu rosto.

– Gostaria de ter lembrado... teríamos ficado com vocês.

Percebo constrangida o sorriso de orelha a orelha de Natasha.

– PAPAI!

Charlie vira para o lado em que a filha está.

– Ah. Com licença... a adolescente chama. Que a desgraça recaia sobre aqueles que não pulam imediatamente. Vejo vocês logo, espero.

Então ele vai embora, parte para perto de Chloe e fico pensando se Natasha tem razão quando diz que ele gosta de mim.

– Ele não parou de olhar para você – declara ela quando entramos na cabana.

– Ah, cale a boca.

– É verdade. Ainda bem que ele não viu você com aquele short branco ontem. Ele não saberia o que fazer, ficaria atordoado.

Quando entramos, vemos William no sofá, já com o iPad.

– Você se divertiu hoje, querido?

– Foi legal – diz ele.

– Olha... eu sinto muito mesmo seu pai ter te decepcionado hoje.

William levanta a cabeça de estalo.

– Ele não me decepcionou. Ele é o patrão, por isso quando precisa trabalhar, não pode evitar.

Controlo certa irritação. Sei que fui eu que disse para William que Adam precisava trabalhar, mas ouvi-lo defender o pai exige um controle que eu nunca imaginei que tivesse. Mesmo assim, acho que vale mais do que ele saber que o pai continua aprontando como antigamente.