Aqui, Agora, Sempre

Catherine Isaac · Capítulo 30 de 85

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Aqui, Agora, Sempre

Capítulo 29

 

 

J á que Becky, Seb e as crianças tinham enfrentado aquela longa viagem, Natasha e eu nos oferecemos para fazer um churrasco para o jantar. Por isso fomos à tarde para o supermercado mais próximo para nos abastecer de hambúrgueres, salsichas, dois bifes e outro produto não identificável à base de carne que a senhora no balcão insistia, equivocadamente, que precisávamos levar. Foi difícil demais tentar corrigi-la.

O benefício de ficar na última cabana de Les Écuries é que temos mais espaço do que os outros. Quando saímos da casa e damos a volta nela, chegamos a um campo que ondula com capim verde e macio, e antes dele há um trecho de pedra que podemos fazer de lugar para sentar. Adam levou para lá mais cedo meia dúzia de cadeiras dobráveis e uma mesa extra, e juntamos os recursos de nossas cabanas para conseguir pratos e talheres suficientes.

As crianças brincam de pega-pega na grama e a fumaça quente da grelha sobe para o céu. Becky termina de servir Rioja para todos e vem me ajudar no churrasco.

– O que é isso? – ela pergunta quando pego uma grelha na churrasqueira.

– Carne. É só o que eu sei.

– Não se preocupe, Seb vai comer isso. O estômago dele é como um moedor industrial.

Poppy escapa da mão dela e corre para o pai, que a pega no colo e faz cócegas no pescoço. A menina se acaba numa gargalhada contagiante.

– Adoro ver os meninos se dando bem assim – diz Becky. – William é uma influência calmante. Espero que isso dure.

A confusão entre James e Rufus mais cedo não era uma anomalia. Eu sei que é normal a briga de irmãos, mas esses dois são inimigos jurados que poderiam ter nascido em planetas diferentes. James é persistente, estudioso, fã da banda One Direction, da Barbie e de A noviça rebelde. Rufus é um menino de cinco anos bruto e desajeitado, que adora as lutas de WWE, futebol americano e fazer barulho. Os dois são crianças maravilhosas até serem postas juntas. Aí se transformam em psicopatas.

– Tem certeza de que não quer que eu assuma isso?

De repente Adam aparece ao meu lado, tão perto que consigo sentir o cheiro do sol na pele dele. Eu me afasto e pego a grelha.

– Está tudo sob controle – explico, enquanto viro um bife.

Essa noite ele parece totalmente à vontade em dia de folga, de bermuda e camiseta verde-oliva que molda o tórax. Imaginei que fosse trazer Simone para exibir para Seb, mas ele diz que ela resolveu dormir cedo e voltou para o apartamento que aluga com Ben, em Sarlat. Não posso negar que isso é um alívio. Espero que todos nós tenhamos superado o incidente constrangedor na cabana do Adam, mas estar com velhos amigos é mais fácil, mais gostoso, quando temos esses amigos só para nós.

– Eu realmente não me importo de fazer isso – ele insiste.

Becky dá risada.

– Qual é a dos homens com churrasco? – Ela me cutuca. – Jess, você está, evidentemente, no que ele considera que é domínio dele.

Adam sorri de orelha a orelha para ela.

– Só estou me oferecendo para ajudar. Mas já que você tocou no assunto, tenho certeza de que se desse essa grelha para mim...

– Se manda daqui. – Eu rio e dou uma lambada nele com o pano de prato. – Se quer mesmo ajudar, pode fazer a salada.

– Ah, entendi. Você fica aí de pé na churrasqueira virando as costeletas e me manda lá para dentro para arrumar um pote de salada. Essa deve ser a coisa mais castradora que você já disse, Jess.

– É claro que você nunca ouviu o que ela fala nas suas costas – diz Becky.

– Tudo bem. Vou fazer a salada. Mas fique sabendo que será uma salada muito máscula.

Becky ri quando ele se afasta, mas para de repente.

– Desculpe – cochicha ela. – Ele é engraçado, mas continua exibido. Definitivamente um exibicionista.