Aqui, Agora, Sempre

Catherine Isaac · Capítulo 65 de 85

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Aqui, Agora, Sempre

Capítulo 64

 

 

E m silêncio, procuro decifrar o significado por trás das palavras de William. Será que eu tinha conseguido esconder esse segredo de todo o mundo, menos de quem eu realmente queria poupar?

– Olhem, todos nós estamos precisando de calma aqui – intervém Adam, e vira para William. – Você e Natasha não querem voltar e jogar uma partida de pingue-pongue, ou qualquer outra coisa, enquanto sua mãe e eu conversamos? E nada de fugir, combinado?

Ele balança a cabeça. Natasha sorri meio tímida.

– Eu sou o máximo no pingue-pongue, já vou logo avisando. Ganho todas.

– Se Ben estiver por lá, peça para ele dar algumas dicas para você, William. Ele é o campeão por aqui. Ninguém ganha dele desde o início da temporada.

William hesita um pouco antes de se arrastar colina acima com Natasha, e evidentemente resolve que estar com Natasha é melhor do que estar comigo nesse momento. Adam senta e olha para o lago. Eu afundo na terra ao lado dele e vejo uma garça descer até a água e depois voar para longe. O ar tem um cheiro quente e doce, o céu um azul profundo com o sol alto e o capim macio faz cócegas atrás das minhas pernas.

– Isso foi apavorante – diz Adam.

Depois de um momento de dúvida, ele põe o braço no meu ombro e me puxa para perto. Deixo que faça isso porque não consigo impedi-lo. É uma sensação muito boa ser abraçada, dá muita segurança e consolo. Ultimamente não há mais ninguém com essa capacidade de me consolar, e a sensação é incomum e maravilhosa.

Percebo que ele está olhando para mim e retribuo o olhar, não reclamo quando ele se inclina para me beijar e o toque dos seus lábios é tão suave que inibe toda a minha força para me afastar.

– Não diga para eu parar outra vez – diz Adam.

– Bem, você precisa parar.

E os beijos são interrompidos, mas ele continua a olhar intensamente para mim.

– Eu me apaixonei por você, Jess. Outra vez. Não quero parar de te beijar nunca mais.

Estremeço e me concentro na superfície espelhada do lago.

– Você faz parecer simples.

– E não é?

– Não.

Então ele se apoia nas mãos e semicerra os olhos.

– E qual é esse grande segredo que William mencionou?

Tento contar para ele mais uma vez. Sei que é o que devo fazer, apesar de saber que nenhum de nós está preparado para isso. Abro a boca para falar, uma brisa quente murmura no meu cabelo e minha pele sente o afago do sol.

E me ocorrem um milhão de desculpas, mas a realidade é essa: naquele lugar lindo e naquele momento, eu não quero falar da doença de Huntington com Adam. Quero beijá-lo e fingir que está tudo bem.

Então me inclino, aperto os lábios nos dele e curto o calor do seu corpo quando meus seios encostam no peito dele. Ele mergulha na minha boca, retribui o beijo sedento e depois se afasta.

– Tudo bem – ele sussurra, afastando o cabelo do meu rosto. – Se você não vai me contar, volto ao meu ponto original.

– Qual ponto original?

– Que me apaixonei por você.

Um suspiro escapa dos meus lábios.

– Isso é adorável, Adam – eu digo casualmente, recuando. – Mas você está esquecendo de algumas coisas. Como o fato de que você “se apaixonou” por todas as mulheres vivas que respiravam e que cruzaram o seu caminho nos últimos dez anos.

– Não é verdade.

– ... e que mesmo se eu sentisse alguma coisa por você, digamos assim, e não estou dizendo que é o caso, você entende...

– Claro que não.

– Mesmo assim, eu seria louca de simplesmente dizer, oba! Adam e eu podemos ficar juntos de novo. O mesmo Adam que gostou de escapar e aproveitar a vida quando eu enfrentava incontinência e mamilos rachados. – Ele faz uma careta. – O mesmo Adam que tratava de transar com Georgina enquanto eu passava pela agonia de parir.

– Eu não escapei para me divertir. E não transei com Georgina. Já te disse isso.

– Você foi morar com ela! – protesto.

– Eu quis dizer que não fui para a cama com ela aquela noite.

Nem discuto com ele. Já tivemos essa conversa vezes demais para passar por isso de novo. Ele se afasta e suspira.

– Isso ainda é importante para você, não é? O fato de eu não estar lá quando William nasceu.

– É claro, Adam, e sempre será.

– Foi importante para mim também – ele insiste. – Uma coisa imensa. Você sabe que eu queria estar lá, mas...

– Mas estava ocupado com Georgina.

– Eu não estava com Georgina. Bem, quero dizer, estava. Eu a vi aquela noite, mas não dormi com ela, nem com ninguém. Gostaria que você apenas confiasse em mim, Jess. Acreditasse quando eu disse que estava no The Northern Tap a noite toda e que tentei voltar a tempo, mas...

– Espere aí – interrompo. – The Northern Tap?

– O que foi?

– Você disse que era The Bush Bar. Você disse que ficou lá a noite toda.

Ele prende a respiração e retesa os ombros quando entende.

– Eu disse?

– Sim, Adam, você disse.

– Bem, mas que importância tem onde eu estava? A questão é que eu disse que não estava transando com outra mulher e essa é a verdade. Por que não acredita em mim?

– Porque é totalmente óbvio que você está mentindo.

– Sobre isso não.

– Hum.

Ele desvia o olhar e passa os dedos no cabelo, pensando.

– Não posso ganhar essa.

Ele tem razão.

– Olha, não importa – eu continuo –, foi há muito tempo, águas passadas. Mas a questão é a seguinte: seria realmente uma má ideia você e eu ficarmos juntos de novo, Adam. Por muitos motivos, sem falar do William.

– William ia adorar.

Naquela hora eu quase contei o resto para ele. O grande motivo. A razão definitiva. O motivo que pegaria qualquer argumento que ele tentasse comigo e pisaria nele até transformar numa massa sangrenta. Mas de novo as palavras grudam na minha boca.

– Nesse momento a vida dele é simples. Ele tem uma mãe e um pai que não estão juntos, mas que o amam. Por que seríamos egoístas ao ponto de botá-lo de volta numa montanha-russa que poderia torná-lo o menino mais feliz por um tempo e depois destruí-lo se nos separássemos outra vez?

Adam nem pisca.

– Eu não deixaria isso acontecer.

– Mas, Adam, acho que nenhum de nós pode garantir isso.