Aqui, Agora, Sempre
Capítulo 31
V oltei para a mesa em tempo de ouvir William pedir o jogo de perguntas para Adam. – Biologia dessa vez.
Adam pensa um pouco.
– Está certo, tenho uma. Qual animal devora o parceiro logo depois que eles... você sabe... “procriam”?
Estalo a língua.
– Só você podia inventar uma dessas...
– O quê? É uma pergunta legítima. A resposta é louva-a-deus. Ou você poderia dizer viúva-negra. De qualquer maneira, é um encontro muito ruim.
– Você não me deu chance de responder – protesta William quando eu levo Charlie para o grupo e faço breves apresentações.
– Ah. Vocês estavam jogando cartas – diz Charlie. – Quem ganhou?
– Rufus ganhou um monte, mas eu venci a última – responde William.
– Deixei ele ganhar – diz Adam, cutucando o filho.
– Nem sonhando, papai. – William sorri e balança a cabeça.
Ficamos uma hora conversando, bebendo e o frio que senti foi suficiente para ter de vestir o pulôver que tinha posto na mala, mas não achava que ia ter de usar. Estávamos em grupo, mas nas nossas conversas, Charlie e eu nos sentimos distantes do resto, quando ele contou sua vida movimentada e realmente fascinante, de ter percorrido a muralha da China para pedir doações para Asthma UK depois da morte do irmão, que jogava tênis a sério e que já tinha sido semiprofissional, que tinha completado quarenta e dois anos esse ano, e que está pensando em mudar para Devon para ficar perto de Chloe, mas que está dividido porque o pai dele, já idoso, vive em Manchester e que, “para ser sincero, ele precisa mais de mim”.
Já passava de meia-noite quando todos os outros foram dormir. Mas Charlie continuou lá, me ajudou a recolher os copos ao som das cigarras em volta de nós.
– Você não precisa fazer isso – digo para ele. – Não o convidei para lavar pratos.
– Mas eu gosto de lavar louça.
– É mesmo?
– Bem, não exatamente. – Ele pega outra garrafa. – É uma desculpa esfarrapada para ficar mais um pouco.
Meu rosto pegou fogo, mas, se ele percebeu, não deu sinal.
– Estava pensando se você teria alguém com quem deixar o William... o tempo de um almoço, talvez.
– Pode ser. Por quê? – eu pergunto, mesmo sabendo aonde ele quer chegar.
Quero que fique cem por cento claro que ele quer sair comigo antes de responder que sim.
– Espero que você se interesse por um almoço comigo.
Prendo a respiração quando vou para a churrasqueira para pegar as grelhas. Não tive nenhuma vontade de pensar nesse tipo de coisa durante muito tempo. Achava que não teria mais espaço para isso na minha cabeça. E talvez fosse o vinho, ou a ardência do sol nos ombros, mas alguma coisa estava me animando a dizer sim.
– Eu adoraria – respondo, e a cambalhota do meu estômago é ao mesmo tempo estranha e bem-vinda.
– Ótimo. Bem, Chloe e eu temos um programa amanhã, mas que tal um passeio até algum lugar para almoçar depois de amanhã? Pego você por volta do meio-dia.