Aqui, Agora, Sempre
Capítulo 62
N atasha e eu nos separamos para procurar William. Combinamos que eu vou conferir no château e ela vai para a casa de Adam, e, o que quer que aconteça, nos encontramos na nossa cabana em vinte minutos, porque a comunicação pelo celular é uma incógnita.
Meus pés pesam na trilha da floresta e grito o nome de William, mas só ouço o silêncio e o ruído errático dos batimentos do meu coração em resposta. Quando saio do meio das árvores e corro para o château, Adam aparece na porta e no mesmo instante percebe que há algum problema.
– O que houve?
– É o William. Tivemos uma briga e ele foi furioso para algum lugar. Deus sabe onde está!
Adam fica processando a informação.
– Olha, não se preocupe, ele é um garoto sensato. Vou procurá-lo também. Vou pegar o carrinho de golfe.
Adam começa no outro lado do terreno e eu pego o outro caminho, gritando o nome de William sem parar, perguntando para todos que encontro se o viram.
Quando volto para a cabana e vejo Natasha parada do lado de fora, ouço meu próprio gemido. Começo a correr mais depressa, desesperada por notícias.
– Não entre em pânico, Jess – é tudo que ela consegue dizer. – Tenho certeza de que ele não pode estar longe.
Vamos procurar no barracão, na casa de Becky e Seb e nas outras perto dela. Acabamos voltando para Les Écuries, andando de um lado para outro e sinto o suor frio nas costas. Um minuto depois, Adam ainda não apareceu. Então ficamos lá fingindo calma e procuro me convencer de que ele vai surgir com o meu filho sentado ao lado no carrinho de golfe e que ele estará bem. Natasha levanta a cabeça, sigo o olhar dela e vejo Adam. Sozinho. Corro para ele, que desce do carro.
– Nada.
Não é nem uma pergunta.
Ele balança a cabeça e sua expressão me assusta. Adam também parece preocupado.
– Procurei em todo lugar que pude nesse carrinho. Mas ele não pode ter ido longe.
– Espero que não tenha feito alguma besteira – digo.
– Ele não faria – insiste Natasha.
– Você não viu como ele estava furioso.
– Olha, Natasha tem razão – diz Adam convincentemente. – Ele deve ter ido para algum lugar clarear as ideias. Eu vou para o château pedir para Ben ajudar a procurar.
Adam vira para mim, seus olhos vasculham os meus.
– Por favor, não se preocupe.
Então ele estende a mão, aperta meus dedos e num breve segundo as coisas parecem um pouquinho melhores.
– Certo, então vamos. Por que vocês duas não experimentam a floresta para o leste, por ali, e eu vou na direção oposta. Encontro vocês aqui em meia hora.
– E se não o encontrarmos nesse tempo?
Adam aperta o maxilar.
– Atravessaremos essa ponte quando chegarmos nela.
Natasha está mais em forma do que eu. Sei disso porque ela também faz musculação e gosta, ainda por cima. No que me diz respeito, cada aula é igual a um parto. Tão horrorosa e dolorosa que só quando acaba é que esquecemos aos poucos como foi ruim e cogitamos repetir a experiência.
Mesmo assim, ela mal consegue me acompanhar na corrida pela floresta, gritando o nome de William.
Depois de um tempo, ela berra:
– Jess!
Viro para trás e a vejo dobrada ao meio, cotovelos nas coxas, recuperando o fôlego.
– Jess... precisamos... voltar.
Olho para o meu relógio e vejo que é hora de conferir com Adam e seu grupo de busca. Na volta percebo que estamos mais lentas, que eu estou mais lenta, com o peso de uma onda de negatividade. Não sei se aguento atravessar o descampado no caminho e ver Adam na porta da nossa casa sem William.
Voltamos antes dos outros.
– Isso deve ser um bom sinal.
Não confio muito na lógica de Natasha, mas faço que sim com a cabeça para impedir que meu queixo trema.
Então Adam aparece com alguém e meu estômago dá uma cambalhota.
– Ele o encontrou.
– Ah, graças a Deus.
Minha cabeça se entope de orações misturadas, agradecimentos a Deus e promessas de que serei uma pessoa melhor, então levanto a cabeça e minhas esperanças implodem. A pessoa que está com Adam usa calça comprida, William estava de short. Ele é alto demais, velho demais...
Adam está com Ben. Não é William.