Aqui, Agora, Sempre

Catherine Isaac · Capítulo 64 de 85

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Aqui, Agora, Sempre

Capítulo 63

 

U ma hora e meia depois do desaparecimento de William, eu quero ligar para a polícia. Por mais que queira acreditar que Adam está certo, que ele deve estar emburrado e escondido em algum lugar, isso é totalmente sem precedentes.

Mas o fato de Adam estar convencido de que William está bem ajuda.

Eu preciso dessa certeza, fico pedindo para ele repetir sem parar que tudo vai acabar bem, que ele vai voltar assim que sentir os efeitos da abstinência do iPad. Mas depois de um certo tempo até ele concorda que devíamos ir para o château para usar uma linha fixa e fazer a ligação que nenhum pai ou mãe deseja fazer.

Adam está com a mão na porta da sala dele quando Julien, da equipe da cozinha, passa por nós e nos cumprimenta.

– Est-ce que tout va bien?

Adam abre a porta e vai sentar à mesa dele.

– Nous ne pouvons pas trouver William – ele diz distraído, começando a apertar os números no telefone.

– William? – diz Julien, olhando para mim. – Eu o vi na beira do lago agora mesmo. Fomos pescar antes de eu vir trabalhar.

– O quê? O meu William?

– Sim, ele estava conversando com um cara.

Adam bate o fone no aparelho.

– Vamos para lá.

Pegamos o carrinho de golfe e seguimos até o terreno ficar intransitável para ele. Deixamos o carrinho e nós três saímos correndo, Natasha, Adam e eu. Não lembro quanto tempo levamos para caminhar até o lago com Charlie e Chloe aquele dia, só sei que foram uns bons trinta minutos ou mais. Dessa vez parecia uma eternidade.

Quando chegamos ao pé da colina, eu já estou exausta. Galopo até o alto de uma elevação, mas não tão rápido quanto Adam, suas pernas e braços bombeiam feito pistões e ele chega lá em cima. Paro ao lado dele quase morta dois segundos depois.

E sozinho perto do lago avistamos alguém pequeno, jogando pedrinhas.

Não grito o nome dele. Estou ofegante demais e, de qualquer maneira, emudeço, por todos os motivos. Adam desce com passos largos. William olha para trás quando estamos na metade da descida, nos vê e vira de frente para o lago de novo.

Quando finalmente chego lá, toco no ombro dele, faço com que se vire e o abraço com força, aperto suas costelas no meu peito.

Minha cabeça lateja com a lembrança de que eu faria qualquer coisa por esse menino.

– Que ideia foi essa, William? – mal consigo pronunciar as palavras. – Seu pai e eu quase morremos de preocupação. Pensei que você tinha fugido. Ou... ou se afogado, ou um monte de possibilidades terríveis. Quem era o homem com quem você estava conversando?

Ele olha para mim por baixo dos cílios compridos.

– Era o Charlie. Ele tinha vindo caminhar com Chloe.

Meu peito se contrai e forço os ombros para baixo. Meus lábios tremelicam e uma lágrima escorre no rosto dele, mas ele vira de lado, orgulhoso.

– Desculpe – ele dispara para mim e seca a lágrima.

– Prometa que você nunca mais fará uma coisa dessas – eu imploro. – Jamais.

Ele me ignora, por isso seguro seu queixo e faço com que vire de frente para mim.

– William, prometa.

– Está bem!

Tenho a sensação de que meus pulmões vão explodir.

– William, isso é sério.

– Eu sei! – ele berra.

– Ora... ora, não está parecendo que você sabe. Está soando nada arrependido.

Ele ensaia sair dali, mas Adam toca sua mão e o faz parar. Então vejo Adam abraçar nosso filho com seus braços grandes e tenho a sensação de ficar de fora. William começa a chorar no peito de Adam, que acaricia as mechas macias do cabelo do filho.

– Tudo bem – sussurra Adam, e beija a cabeça de William. – Não precisa se preocupar. Nós todos ficaremos bem.

Então William olha para mim com os olhos muito vermelhos.

– Não ficaremos não, não é, mamãe? Nós não ficaremos bem.

Engulo a lixa que está dentro da minha boca.

– Se está falando de voltar para casa...

– Não é sobre voltar para casa. – Ele faz uma careta. – É sobre você não ser sincera. Você sempre disse que devemos ser sinceros. E falar sobre os nossos problemas. Mas você não contou para ninguém. E eu sei... Eu sei.