Aqui, Agora, Sempre

Catherine Isaac · Capítulo 81 de 85

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Aqui, Agora, Sempre

Capítulo 80

 

 

–A dam, você não entende o que está pedindo. Ele espera que eu explique.

– Se tivesse visto o estado da minha mãe esses dias, não poderia ficar aí sentado... ajoelhar aqui... e pedir que eu me case com você. – Sinto meus dentes rilhando antes de continuar. – Ela não consegue falar direito, Adam. Não consegue andar, não consegue comer, não consegue mais ir ao banheiro. Nem pode sentar a maior parte do tempo. Fica só na cama ultimamente. E meu pobre pai tem de assistir a isso, impotente e incapaz de conter essa deterioração. Não pode viver a vida que os dois imaginaram.

Adam abaixa a cabeça e olha para o guardanapo que enrola nos dedos antes de responder:

– Diga uma coisa, Jess. Por que acha que seu pai continua com ela?

– O que quer dizer? Quer saber por que ele não a deixa?

– É. Porque alguns relacionamentos não sobreviveriam a isso, não é?

Não respondo. Nem tinha pensado nisso antes. Apenas supus que meu pai fosse estar sempre lá.

– Você acha que é porque ele sente pena dela? Ou porque acha que é obrigação dele? Ou será por você, porque você ficaria péssima se eles se separassem?

Meu rosto começa a esquentar conforme as lágrimas chegam.

– Provavelmente todas essas coisas.

– Besteira, Jess. Ele está lá todos os dias ao lado dela porque ama sua mãe.

Engulo as lágrimas e não digo nada.

– Ele pode odiar a doença. Pode detestar o que fez com ela. Mas ele adora sua mãe. Para ele, ela vale tudo por que ele está passando. E acontece que eu sinto a mesma coisa por você.

Minhas mãos tremem quando toco na bainha da toalha da mesa.

– Jess, preste atenção. Passei todos os minutos livres desde que você me falou que leu sobre isso assistindo a vídeos de pessoas que sofrem da doença, inclusive as que estão nos últimos estágios. Li relatórios, orientações da Huntington’s Disease Association, blogs e fóruns. Sei exatamente o que a doença faz com as pessoas. Não pedi para você casar comigo sem saber. – Ele faz uma pausa e continua: – E é isso aí, Jess: eu sei que as coisas vão ficar muito, muito difíceis para você. Para nós. Mas você ainda não chegou lá. Você tem saúde. Nesse exato momento, sentada aqui nesse restaurante, a mulher mais linda que eu já vi, você não tem a doença de Huntington. Por isso precisa parar de se preocupar com o futuro, e viver. De preferência comigo, como seu marido.

Balanço a cabeça, fungo para conter as lágrimas e consigo encarar Adam.

– Mas Adam... como é que alguém pode querer isso?

– Eu não sou alguém.

– Não, eu sei, mas...

– Quando você se casa, é para ser na doença e na saúde. A maioria das pessoas nunca pensa nessa parte no início, mas eu pensei. Muito. E é o que eu quero.

Gaguejo, me atrapalho com o que desejo dizer. Até que um sorriso invade meu rosto e entendo que não preciso falar nada.

– Bom, agora que já acertamos isso, e que o pianista começou a tocar de novo, vou tentar mais uma vez – diz ele.

Dou risada e seco as lágrimas.

Ele pega o anel e levanta no ar, cintilante com a luz.

– Você não vai me fazer ajoelhar de novo, vai? Porque uma vez numa noite é aceitável, duas vezes parece desespero.

Eu rio.

– Não, não faça isso.

Ele hesita um segundo.

– Está bem. Não vou constrangê-la. Mas vou pedir de novo, Jess. Quer casar comigo?

Paro de sorrir e olho nos olhos do único homem que amei na vida.

Nunca fomos perfeitos, mas fomos feitos um para o outro. Precisei de dez anos, um bebê, uma doença fatal e uma montanha-russa de emoções no meio para descobrir isso.

Então suponho que a resposta seja uma só.

– Está bem, Adam.

Ele franze a testa.

– Isso é um sim?

– Sim. Sim, isso é um sim.

As feições dele se abrem num sorriso largo e faminto.

– Meu Deus, isso foi uma trabalheira – diz ele ao se debruçar sobre a mesa e me abraçar, e o cara do filet de rouget irrompe num aplauso emocionado.