Aqui, Agora, Sempre

Catherine Isaac · Capítulo 76 de 85

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Aqui, Agora, Sempre

Capítulo 75

 

P assei tanto tempo pensando em como contar para Adam sobre a doença de Huntington que, agora que já passou, não sei mais o que fazer da vida.

Mas eu me senti mais leve nos últimos dias na França, como se a carga do meu segredo não estivesse mais me esmagando com seu peso. Posso finalmente injetar um fiapo de certeza no meu futuro incerto.

Ajuda ele ter me perdoado por não ter contado nada até agora e o fato de eu finalmente saber a verdade sobre o que aconteceu na noite em que William nasceu. Mas, acima de tudo, é uma grande ajuda nós dois entendermos a necessidade de agirmos como adultos quanto ao que aconteceu nesse verão. Entre nós dois, quero dizer.

Saber que não podemos continuar juntos não me impede de reviver a doçura de cada segundo. Do arrepio gostoso quando eu o via rindo. Como cada toque dele me incendiava. Como ele fazia coisas lindas e deliciosas comigo e, pela primeira vez em muito tempo, me levou a parar de pensar que meu corpo é meu inimigo.

Mas o conto de fadas termina aqui. Isso é mais uma coisa que a doença de Huntington roubou de mim. Adam e eu não podemos ficar juntos, e quaisquer ideias que poderíamos ter foram interrompidas. Porque simplesmente não existe um final feliz envolvendo nós dois.

Não existe a possibilidade de Adam e eu envelhecermos juntos, chegarmos aos noventa dançando salsa e partindo em cruzeiros pelo mundo com professores de ioga a bordo.

Eu me apaixonei de novo por Adam nesse verão. E deve ter sido amor verdadeiro porque o que sinto por ele também é altruísta ao ponto de querer que ele tenha essas coisas com outra pessoa. Não com Simone – não iria tão longe –, mas com alguém.

Mas ainda sorrio toda vez que me lembro do pedido de casamento.

Fez com que eu me lembrasse de tudo que Adam tem de bom. Foi engraçado e inusitado, doce e apaixonado. Tudo que era possível antes da realidade amarga se instalar.

No caso de Adam, essa realidade ainda está se fazendo. Algumas vezes o pego com o olhar vazio, atormentado pensando como tudo aquilo aconteceu. É como se tivesse passado as últimas semanas correndo para alguma coisa maior e melhor na vida, e tudo isso desaparecesse da noite para o dia.

Mesmo assim, o modo como nos afastamos foi bem decisivo.

Não há mais beijos. Não há mais namoro. O sexo com dois orgasmos acabou.

O verão das segundas chances está chegando ao fim da melhor maneira que alguém com o meu futuro poderia esperar, porque sei que, o que quer que aconteça comigo, William será amado e protegido pelo pai. Adam é um homem muito melhor do que eu pensava.

Vejo com otimismo a possibilidade de Adam e eu acabarmos sendo algo maravilhoso: pai e mãe que também são amigos. Acho que podemos fazer isso muito bem, seremos um time vencedor, até eu não poder mais vencer.

Quando chegar a esse ponto, terei pelo menos essa certeza: saber que alguém cuidará de William. Não só enquanto for pequeno, mas além disso. E apesar dos conselhos de Adam para nosso filho adulto não serem os mesmos que teriam sido os meus, sei que ele estará nas mãos de um homem que o ama e que fará o melhor possível. Nenhum pai ou mãe é perfeito. Os meus não foram e eu não sou.

Mas se um pai ama o filho de verdade, é tudo que podemos desejar.

É claro que há muitas coisas que temos de conversar na prática, e fazemos isso sempre, tomando café juntos, mas sei que chegaremos lá. Falamos de Adam mudar de volta para Manchester em outubro e de, no início, procurar algum lugar para alugar em Castlefield, perto de nós. Falamos de William passar a noite na casa dele às quartas e sábados, uma combinação que agrada a nós dois e que pode ser flexível. Resolvemos que Adam é bem-vindo para aparecer e tomar um chá conosco de vez em quando e temos um convite aberto para um almoço aos domingos, na casa dele.

Adam sempre fala que está ansioso por isso, que a vida vai ser boa, e soa com tanta convicção que me faz acreditar. Quase.

Aconteça o que acontecer, mal posso esperar para voltar para casa. Estive longe de mamãe por tempo demais e de repente só consigo pensar em voltar para ela. Mas Natasha não está concordando com o meu entusiasmo de partir em breve.

– Pensei que você ia querer voltar a trabalhar.

Para qualquer outra pessoa isso seria sarcástico, mas para ela não.

– Bem, eu quero, mas...

Espero Natasha terminar a frase, mas ela se encolhe, envergonhada de confessar alguma coisa.

– Estou gostando do Ben de verdade.

– Não me surpreende, ele é maravilhoso.

– É, mas não devemos apostar em emoção demais com namoros de férias na minha idade. A última vez que fiz isso eu tinha catorze anos.

– Vocês vão manter contato?

– Não tenho certeza. Evitamos o assunto de propósito, mas nos tornamos amigos no Facebook. E parece que isso só serviu para expor mais a diferença de idade.

– Ninguém se importaria com esses nove anos se fosse ao contrário – protesto. – Além do mais, não parece que você tem trinta e tantos anos.

– Obrigada, Jess. Tudo graças à ioga.

– É mesmo?

– Bem, isso e botox.