Aqui, Agora, Sempre

Catherine Isaac · Capítulo 34 de 85

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Aqui, Agora, Sempre

Capítulo 33

 

D epois caminhamos pela grama da margem do rio, saindo da aldeia para o campo interminável onde passarinhos mergulham e dão voltas no ar sobre nossas cabeças e o sol castiga nossos ombros. Adam e William vão na frente com passos largos, e as pernas magras do meu filho saltitam para acompanhar o pai. Acabamos chegando a um poço de água mansa, com libélulas dançando na superfície e lírios cintilando à luz clara. Um ciclista passa por nós no caminho de pedrinhas e um casal incrivelmente charmoso faz piquenique na encosta.

Jogamos pedras na água tempo suficiente para William conseguir de três a quatro quicadas e para Adam fingir tristeza quando as dele afundam assim que batem na água.

Em seguida ele compra nosso almoço em um café movimentado em Beynac-et-Cazenac. Sentamos embaixo de um toldo vermelho cercado de comensais devorando saladas decoradas com tomates que parecem joias, queijo de cabra Cabécou fundido e morangos com sorvete de mimosa.

– Estou vendo que todo mundo está desprezando as moelas – observo para Adam.

– Vão se arrepender. O que você quer beber?

– Tudo bem, eu peço.

Viro para a garçonete, determinada a falar perfeitamente.

– L’eau, s’il vous plaît.

– Pardon? – responde ela.

– L’eau, s’il vous plaît. – Ela olha para Adam e faz cara de riso quando ele debocha.

– Eu disse, je voudrais de l’... Coca-Cola.

– Ah, oui !

Adam pede o resto e eu recosto na cadeira de mau humor. E nós três ficamos ali à sombra, o céu azul brilhante e os ruídos da aldeia antiga como eram há séculos.

– O que achou da minha equipe? – pergunta Adam.

– Ótima – digo eu. – Muito profissional. Gostei especialmente do Ben.

– Nosso galã da casa? Ele é ótimo, não é? Parece que gostou muito da Natasha.

– Acho que ela anda de caso com aquele comerciante de antiguidades, o Josh.

Dou uma espiada no meu livro-guia e quando levanto a cabeça de novo Adam está pegando um envelope de papel de cigarro e tabaco. Olho furiosa para ele. O olhar não funciona, então eu o chuto de leve por baixo da mesa.

– Ai!

E então ele entende o que há de errado.

– Ah, é, desculpe, eu esqueci. Mas William já é um menino grande, Jess. Tenho certeza de que tem sensibilidade suficiente para saber que alguns adultos fazem isso, sem ser levado a fazer a mesma coisa.

William olha para nós dois, Adam termina de enrolar o cigarro e acende. Dá uma longa tragada.

– Nunca, jamais faça isso – digo para William com firmeza. – Isso mata. E antes disso, seus pulmões ficam como dois feijões murchos e a boca vira um cinzeiro.

– Isso é verdade. – Adam sacode os ombros. – Boca de cinzeiro, esse sou eu.

Adam solta outra baforada.

– Então por que você fuma? – pergunta William.

Adam abaixa o cigarro.

– Sou viciado. Mas não é legal nem inteligente. Isso é verdade.

– Mas... você não pode tentar parar? Não quero que você morra.

Adam fica paralisado, mas logo um movimento no fundo dos olhos suaviza suas feições. Estende a mão para apagar o cigarro no cinzeiro em silêncio e uma garçonete chega com a nossa comida.

William dá uma mordida no seu croque-monsieur.

– Ainda bem que nasci no século XXI – ele diz sem mais nem menos. – Aquele castelo é sensacional, mas não gostaria de morar lá.

– Nem eu – comento. – Imagine não ter privada com descarga, aquecimento central ou...

– IPads – completa William.

– Acredite ou não, não existia iPad quando seu pai e eu tínhamos a sua idade.

– Eu sei – ele diz. – E as televisões eram em preto e branco, e...

– Quantos anos você acha que temos? – pergunto, atônita.

Ele dá risada.

– De qualquer forma, você disse que sempre teve tudo que quis quando era pequena.

– Isso é verdade – respondo.

William pensa um pouco.

– Como eram sua mãe e seu pai, papai?

Adam abaixa o garfo e a faca.

– Eram um pouco diferentes da sua avó e do seu avô.

E ele não está brincando.