Aqui, Agora, Sempre

Catherine Isaac · Capítulo 66 de 85

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Aqui, Agora, Sempre

Capítulo 65

 

P asso o resto da noite tentando desvendar o que acontece por trás dos olhos jovens de William, ou se suas palavras cifradas significavam apenas alguma coisa inócua.

Acabo perguntando para ele no domingo à noite, no primeiro degrau da escada do beliche dele, arrumando a coberta para ele dormir e me preparando para ter a conversa que vinha temendo desde o dia em que minha mãe contou sobre a doença de Huntington para mim.

– Você disse alguma coisa ontem sobre eu não ser sincera. O que quis dizer?

Ele não olha para mim, fixa o olhar no exemplar bem manuseado de Maze Runner.

– Nada, mamãe. Falei aquilo porque estava com raiva. Eu sinto muito ter fugido daquele jeito.

– Eu sei, você disse. E se desculpou também. Detesto discutir com você. Não quero que isso aconteça nunca mais.

– Eu também não.

Como William vai se tornar adolescente dentro de três anos, questiono mentalmente a chance de não brigarmos e sorrio para mim mesma.

– Então vamos mesmo embora amanhã? – ele pergunta e puxa o lençol até o queixo.

Hesito um pouco antes de responder.

– Não.

Os olhos dele brilham.

– Mas não é por você ter aprontado aquilo de sumir, não. Eu só resolvi ficar aqui até o dia que combinamos ir embora.

Ele sorri de orelha a orelha.

– Mas acontece que você e eu realmente precisamos ter uma conversa em algum momento.

– Sobre o quê?

Ele olha para mim e sua expressão faz com que eu pare de repente. Eu me pergunto se agora é mesmo o momento certo – quando ele ainda tem quase duas semanas de férias para aproveitar. Será que devo lançar a perspectiva do meu filho acabar como a avó dele, se devia passar os próximos sete dias relaxando e nadando ao sol? Sinto que já tive bastante drama nessas férias.

– Estava pensando se você tinha mais alguma pergunta sobre seu livro Growing Up – improviso.

Ele adota um olhar desconfiado.

– No momento, não.

Ainda bem.

– E você ganhou no pingue-pongue quando jogou com Natasha?

– Ganhei, chamamos Ben para jogar como papai tinha sugerido. Ele é fantástico jogando.

– É mesmo?

– É, mas ficava deixando tia Natasha ganhar, não sei por quê. Acho que eles se gostam. Ela devia namorar ele.

– Ah, você acha?

– Acho. – Ele faz que sim com a cabeça, orgulhoso de seus poderes perceptivos. – Ou será que o namorado dela agora é aquele outro cara, o velho?

– Joshua não é velho.

– Não é? De qualquer modo, Ben é mais divertido.

– Está bem, Cupido. Hora de dormir – resolvo.

Ele se ajeita na cama.

– Amo você – eu digo.

– Eu te amo mais.

Então fecho a porta e prometo para mim mesma: assim que voltarmos para casa, conto para ele.

 

Meu quarto se enche de uma luz difusa na manhã seguinte. Fico deitada ouvindo o ronco suave do ventilador de teto. O fim das férias está acelerando na minha direção e ao mesmo tempo parece que está a uma eternidade de distância.

Ter Adam por perto é uma tortura agridoce, o desejo que sinto por ele forma uma liga com a consciência de que eu só poderia tê-lo sob um falso pretexto. Ele acha que sou a mesma mulher de quando estávamos juntos, jovem, olhos brilhantes, com um futuro longo e saudável pela frente.

Digo para mim mesma que vou ficar aqui até o fim pelo William. E que, apesar de tudo, o fato de ele estar tão encantado com o pai só pode ser uma coisa boa. Realmente acredito nisso agora. Mesmo tendo uma preocupação minúscula, mas insistente, de que Adam possa voltar ao seu comportamento antigo depois das férias. Ele ainda se comporta mais como amigo do que pai.

Ouço vozes lá fora e sento para ver se distingo se são de Charlie e Chloe.

Levanto, vou escovar os dentes, lavar o rosto e vestir uma saída de praia.

Ensaio baixinho fragmentos de um discurso, abro a porta e vou para o pátio, cheia de determinação. Sigo as vozes até o estacionamento atrás de Les Écuries e, assim que registro a ausência do carro de Charlie, percebo que o que ouvi era o casal que tinha se hospedado numa das cabanas na noite anterior, com um bebê.

Relaxo, parte aliviada, parte decepcionada por não poder resolver logo essa conversa até outra hora do dia. Volto para o pátio e aí noto que a boia vermelha de Chloe que sempre ficava encostada na parede, derretendo ao sol, não está mais lá. As sandálias que ficavam na porta também não. Não há toalhas de praia sobre as cadeiras nem a vela de citronela da véspera.

Vou devagar até a casa e ponho as mãos no vidro para poder enxergar lá dentro. A sala está vazia. A cabana está vaga, os hóspedes foram embora.