Fundamentos de Física, Volume 3: Eletromagnetismo
A Lei de Lenz
Como estamos interessados apenas no valor absoluto da força
eletromotriz, ignoramos o sinal negativo dessa equação e da Eq. 30-5 e
escrevemos
A Lei de Lenz
Pouco depois de Faraday descobrir a lei de indução, Heinrich Friedrich Lenz propôs uma regra, hoje conhecida como lei de Lenz, para determinar o sentido da corrente induzida em uma espira:
A corrente induzida em uma espira tem um sentido tal que o campo
magnético produzido pela corrente se opõe ao campo magnético que
induz a corrente.
A força eletromotriz induzida tem um sentido compatível com o sentido da corrente induzida. A ideia central da lei de Lenz é a de “oposição”. Para termos uma ideia melhor de como essa ideia funciona, vamos aplicá-la de
dois modos diferentes, mas equivalentes, à situação da Fig. 30-4, na qual o polo norte de um ímã está se aproximando de uma espira condutora.
1. Oposição ao Movimento de um Polo. A aproximação do polo norte
do ímã da Fig. 30-4 aumenta o fluxo magnético que atravessa a espira
e, portanto, induz uma corrente na espira. De acordo com a Fig. 29-22,
ao ser percorrida por uma corrente, a espira passa a se comportar como
um dipolo magnético, com um polo sul e um polo norte; o momento
magnético associado a esse dipolo aponta do polo sul para o polo
norte. Para se opor ao aumento de fluxo causado pela aproximação do
ímã, o polo norte da espira (e, portanto, o vetor ) deve estar voltado
para o polo norte do ímã, de modo a repeli-lo (Fig. 30-4). Neste caso,
de acordo com a regra da mão direita (veja a Fig. 29-22), a corrente
induzida na espira deve ter o sentido anti-horário quando vista do lado
do ímã na Fig. 30-4.
Quando afastamos o ímã da espira, uma nova corrente é induzida na
espira. Agora, o polo sul da espira deve estar voltado para o polo norte
do ímã de modo a atraí-lo e assim se opor ao afastamento. Assim, a
corrente induzida na espira tem o sentido horário quando vista do lado
do ímã.
2. Oposição à Variação de Fluxo. Na Fig. 30-4, com o ímã
inicialmente distante, o fluxo magnético que atravessa a espira é zero.
Quando o polo norte do ímã se aproxima da espira com o campo
magnético apontando para baixo, o fluxo através da espira aumenta.
Para se opor a esse aumento de fluxo, a corrente induzida i deve criar
um campo apontando para cima, como na Fig. 30-5a; nesse caso, o
fluxo para cima de se opõe ao aumento do fluxo para baixo
causado pela aproximação do ímã e o consequente aumento de . De
acordo com a regra da mão direita da Fig. 29-22, o sentido de i nesse
caso deve ser o sentido anti-horário da Fig. 30-5a.
Atenção. O fluxo de sempre se opõe à variação do fluxo de , mas
isso não significa que e sempre têm sentidos opostos. Assim, por
exemplo, quando afastamos o ímã da espira da Fig. 30-4, o fluxo Φ B
produzido pelo ímã tem o mesmo sentido que antes (para baixo), mas
agora está diminuindo. Nesse caso, como mostra a Fig. 30-5b, o fluxo
de também deve ser para baixo, de modo a se opor à diminuição do
fluxo Φ . Nesse caso, portanto, e têm o mesmo sentido. B
As Figs. 30-5c e 30-5d mostram as situações em que o polo sul do
ímã se aproxima e se afasta da espira, mais uma vez se opondo à
variação do fluxo.
Figura 30-4 Aplicação da lei de Lenz. Quando o ímã se aproxima da espira, uma corrente é induzida na espira. A corrente produz um outro campo magnético, cujo momento dipolar magnético
está orientado de tal forma que se opõe ao movimento do ímã. Assim, a corrente induzida tem o
sentido anti-horário, como mostra a figura.
Figura 30-5 O sentido da corrente i induzida em uma espira é tal que o campo magnético i produzido pela corrente se opõe à variação do campo magnético que induziu a corrente. O campo
i sempre tem o sentido oposto ao sentido de , se está aumentando (a, c), e o mesmo sentido que
, se está diminuindo (b, d). A regra da mão direita fornece o sentido da corrente induzida a partir
do sentido do campo induzido.
Teste 2
A figura mostra três arranjos nos quais espiras circulares iguais são
submetidas a campos magnéticos uniformes crescentes (Cre) ou
decrescentes (Dec) com a mesma taxa de crescimento ou decaimento.
A reta tracejada passa pelo centro das bobinas. Coloque os arranjos na
ordem decrescente do valor absoluto da corrente induzida na espira.
Exemplo 30.02 Força eletromotriz e corrente
induzidas por um campo magnético uniforme
variável
A Fig. 30-6 mostra uma espira condutora formada por uma
semicircunferência de raio r = 0,20 m e três fios retilíneos. A
semicircunferência está em uma região onde existe um campo
magnético uniforme orientado para fora do papel; o módulo do
campo é dado por B = 4,0t2 + 2,0t + 3,0, com B em teslas e t em
segundos. Uma fonte ideal com uma força eletromotriz = 2,0 V é
ligada à espira. A resistência da espira é 2,0 Ω.
(a) Determine o módulo e o sentido da força eletromotriz induzida
na espira pelo campo no instante t = 10 s.
IDEIAS-CHAVE
1. De acordo com a lei de Faraday, o valor absoluto de é
igual à taxa de variação do fluxo magnético através da espira, dΦ /dt. B
2. O fluxo através da espira depende da área A da espira e da orientação da espira em relação ao campo magnético .
3. Como é uniforme e perpendicular ao plano da espira, o
fluxo é dado pela Eq. 30-2 (Φ = BA). (Não é necessário B
integrar B na região envolvida pela espira para calcular o fluxo.)
4. O campo induzido B (produzido pela corrente induzida) ind se opõe à variação do fluxo magnético.
Valor absoluto: Usando a Eq. 30-2 e levando em conta o fato de que
apenas o módulo B do campo varia com o tempo (a área A é
constante), podemos escrever a lei de Faraday, Eq. 30-4, na forma
Como o fluxo atravessa apenas a parte da bobina correspondente à
semicircunferência, a área A é igual a πr2/2. Substituindo esse valor e a
expressão dada para B, obtemos
Figura 30-6 Uma fonte é ligada a uma espira condutora que inclui
uma semicircunferência de raio r imersa em um campo magnético
uniforme. O campo, cujo módulo varia com o tempo, aponta para fora
do papel.
Para t = 10 s, temos
Sentido: Para determinar o sentido de , observamos que na Fig. 30-
6 o fluxo através da espira é para fora do papel e crescente. Como o
campo induzido B (produzido pela corrente induzida) se opõe a esse ind
aumento, ele deve estar orientado para dentro do papel. Usando a
regra de mão direita (Fig. 30-5c), descobrimos que a corrente induzida
tem o sentido horário e, portanto, o mesmo acontece com a força
eletromotriz induzida .
(b) Qual é a corrente na espira no instante t = 10 s?
IDEIA-CHAVE
A espira está sujeita a duas forças eletromotrizes.
Cálculo: A força eletromotriz induzida tende a produzir uma
corrente no sentido horário; a força eletromotriz da fonte tende a
produzir uma corrente no sentido anti-horário. Como é maior que
, a força eletromotriz total tem o sentido horário e produz uma
corrente no mesmo sentido. Para calcular a corrente no instante t = 10
s, usamos a Eq. 27-2 (i = /R):
Exemplo 30.03 Força eletromotriz induzida
por um campo magnético não uniforme variável
A Fig. 30-7 mostra uma espira retangular imersa em um campo não
uniforme variável que é perpendicular ao plano do papel e aponta
para dentro do papel. O módulo do campo é dado por B = 4t2x2, com B
em teslas, t em segundos e x em metros. (Note que B varia com o
tempo e com a posição.) A espira tem uma largura W = 3,0 m e uma
altura H = 2,0 m. Determine o módulo e a direção da força
eletromotriz induzida na espira no instante t = 0,10 s.
IDEIAS-CHAVE
1. Como o módulo do campo magnético varia com o tempo, o fluxo magnético Φ através da espira também varia. B
2. De acordo com a lei de Faraday, a variação de fluxo induz na espira uma força eletromotriz = dΦ /dt. B
3. Para usar essa equação, precisamos de uma expressão para o fluxo Φ em função do tempo t. Entretanto, como B não é B
uniforme no interior da espira, não podemos usar a Eq. 30-2 (Φ = BA) para calcular essa expressão, mas devemos usar a B
Eq. 30-1 .
Figura 30-7 Uma espira condutora, de largura W e altura H, está
imersa em um campo magnético não uniforme e variável, que aponta
para dentro do papel. Para aplicar a lei de Faraday, usamos uma tira
vertical de altura H, largura dx e área dA.
Cálculos: Na Fig. 30-7, é perpendicular ao plano da espira (e, portanto, paralelo ao vetor elemento de área ); assim, o
produto escalar da Eq. 30-1 é igual a B dA. Como o campo magnético varia com a coordenada x e não com a