Fundamentos de Física, Volume 3: Eletromagnetismo
Três Circuitos Simples
Daqui a pouco, vamos estudar um sistema constituído por uma fonte de força eletromotriz alternada e um circuito RLC série, como o sistema da
Fig. 31-7, e obter expressões para a amplitude I e constante de fase ϕ da corrente no circuito em função da amplitude e frequência angular ω da d força eletromotriz. Antes, porém, vamos examinar três circuitos mais simples, constituídos apenas pela fonte e um componente como R, C e L. Começaremos com um componente resistivo (uma carga resistiva pura).
Figura 31-7 Circuito de uma malha formado por um resistor, um capacitor e um indutor. Um gerador, representado por uma senoide no interior de um círculo, produz uma força eletromotriz alternada que estabelece uma corrente alternada no circuito. O sentido da força eletromotriz e da corrente varia periodicamente.
OceanofPDF.com
Carga Resistiva
A Fig. 31-8 mostra um circuito formado por um resistor R e um gerador de corrente alternada cuja força
eletromotriz é dada pela Eq. 31-28. De acordo com a regra das malhas, temos
De acordo com a Eq. 31-28, temos
Como a amplitude VR da diferença de potencial (ou tensão) entre os terminais da resistência é igual à amplitude da força eletromotriz, podemos escrever:
Usando a definição de resistência (R = V/i), podemos escrever a corrente na resistência como
De acordo com a Eq. 31-29, a corrente também pode ser escrita na forma
em que I é a amplitude da corrente i na resistência. Comparando as Eqs. 31-31 e 31-32, vemos que, no caso de R R
uma carga resistiva pura, a constante de fase ϕ é nula.
Figura 31-8 Circuito formado por um resistor e um gerador de corrente alternada.
Vemos também que a amplitude da tensão e a amplitude da corrente estão relacionadas pela equação
Embora essa relação tenha sido demonstrada apenas para o circuito da Fig. 31-8, ela se aplica a qualquer resistência em qualquer circuito.
Comparando as Eqs. 31-30 e 31-31, vemos que as grandezas variáveis com o tempo v R e iR são funções de sen
ωdt com ϕ = 0o. Isso significa que as duas grandezas estão em fase, ou seja, passam ao mesmo tempo pelos
máximos e pelos mínimos. A Fig. 31-9a, que é um gráfico de v R(t) e iR(t), ilustra esse fato. Observe que os valores máximos de v R e iR não diminuem com o tempo porque o gerador fornece energia ao circuito para compensar a energia dissipada em R.
As grandezas variáveis com o tempo vR e iR podem ser representadas geometricamente por fasores. Como
vimos no Módulo 16-6, fasores são vetores que giram em torno de uma origem. Os fasores que representam a
tensão e a corrente no resistor da Fig. 31-8 são mostrados na Fig. 31-9b para um instante de tempo arbitrário t. Esses fasores têm as seguintes propriedades:
Velocidade angular: Os dois fasores giram em torno da origem no sentido anti-horário com uma velocidade
angular igual à frequência angular ω d de vR e iR.
Comprimento: O comprimento de cada fasor representa a amplitude de uma grandeza alternada, VR no caso da
tensão e I no caso da corrente. R
Projeção: A projeção de cada fasor no eixo vertical representa o valor da grandeza alternada no instante t, v R no
caso da tensão e i no caso da corrente. R
Ângulo de rotação: O ângulo de rotação de cada fasor é igual à fase da grandeza alternada no instante t. Na Fig.
31-9b, a tensão e a corrente estão em fase; como têm a mesma velocidade angular e o mesmo ângulo de rotação,
os dois fasores giram juntos.
Acompanhe mentalmente a rotação. Não é fácil ver que a tensão e a corrente atingem os valores máximos v R
= VR e iR = IR quando o ângulo de rotação é 90o (ou seja, quando os dois fasores estão apontando verticalmente para
cima)? As Eqs. 31-30 e 31-32 fornecem os mesmos resultados.
Teste 3
Quando aumentamos a frequência de excitação de um circuito com uma carga resistiva pura, (a) a amplitude
VR aumenta, diminui ou permanece a mesma? (b) A amplitude IR aumenta, diminui ou permanece a mesma?
Figura 31-9 (a) Gráfico da corrente i no resistor e da diferença de potencial v entre os terminais do resistor em função do tempo t. A corrente e a R R diferença de potencial estão em fase e completam um ciclo em um período T. (b) Diagrama fasorial correspondente ao gráfico mostrado em (a).
Exemplo 31.03 Diferença de potencial e corrente para uma carga
resistiva pura
No circuito da Fig. 31-8, a resistência R é 200 Ω e o gerador produz uma força eletromotriz de amplitude =
36,0 V e frequência fd = 60,0 Hz.
(a) Qual é a diferença de potencial vR(t) entre os terminais do resistor em função do tempo t, e qual é a
amplitude V de v (t)? R R
IDEIA-CHAVE
Em um circuito com uma carga puramente resistiva, a diferença de potencial v (t) entre os terminais do R
resistor é igual à diferença de potencial (t) entre os terminais do gerador.
Cálculos: Nesse caso, v R(t) = (t) e VR = . Como é conhecida, podemos escrever
Para determinar v (t), usamos a Eq. 31-28 para escrever R
e, em seguida, fazemos = 36,0 V e
ω = 2πf = 2π(60 Hz) 120π d d
para obter
v R = (36,0 V) sen(120πt),
Podemos deixar o argumento do seno nessa forma, por conveniência, ou escrevê-lo como (377 rad/s)t ou (377
s−1)t.
(b) Qual é a corrente iR(t) no resistor e qual é a amplitude IR de iR(t)?
IDEIA-CHAVE
Em um circuito de CA com uma carga resistiva pura, a corrente alternada iR(t) no resistor está em fase com a
diferença de potencial alternada v (t) entre os terminais do resistor, ou seja, a constante de fase ϕ da corrente é R
zero.
Cálculos: Nesse caso, podemos escrever a Eq. 31-29 na forma
De acordo com a Eq. 31-33, a amplitude I é R
Substituindo este valor e fazendo ω = 2πf = 120π na Eq. 31-35, obtemos d d
Figura 31-10 Circuito formado por um capacitor C e um gerador de corrente alternada.
Carga Capacitiva
A Fig. 31-10 mostra um circuito formado por um capacitor C e um gerador de corrente alternada cuja força
eletromotriz é dada pela Eq. 31-28. Aplicando a regra das malhas e procedendo como fizemos para obter a Eq. 31-
30, descobrimos que a diferença de potencial entre os terminais do capacitor é dada por
em que VC é a amplitude da tensão alternada no capacitor. Usando a definição de capacitância, também podemos escrever
Nosso interesse, porém, está na corrente e não na carga. Assim, derivamos a Eq. 31-37 para obter
Vamos agora modificar a Eq. 31-38 de duas formas. Em primeiro lugar, para padronizar a notação, vamos
definir uma grandeza X , conhecida como reatância capacitiva de um capacitor, por meio da relação C
O valor de XC depende da capacitância e da frequência angular de excitação ωd. Sabemos, da definição de constante de tempo capacitiva (τ = RC), que a unidade de C no SI pode ser expressa em segundos por ohm. Usando
essa unidade na Eq. 31-39, vemos que a unidade de X C no SI é o ohm, a mesma da resistência R.
Em segundo lugar, substituímos cos ω t na Eq. 31-38 por um seno com um deslocamento de fase de 90o: d
cos ωdt = sen(ωdt + 90°).
Para mostrar que essa identidade está correta, basta deslocar uma senoide de 90o no sentido negativo.
Com as duas modificações, a Eq. 31-38 se torna
De acordo com a Eq. 31-29, podemos escrever a corrente iC no capacitor da Fig. 31-10 na forma
em que IC é a amplitude de iC. Comparando as Eqs. 31-40 e 31-41, vemos que, para uma carga capacitiva pura, a constante de fase ϕ da corrente é −90o. Vemos também que a amplitude da tensão e a amplitude da corrente estão relacionadas pela equação
Embora essa relação tenha sido demonstrada apenas para o circuito da Fig. 31-10, ela se aplica a qualquer
capacitância em qualquer circuito de corrente alternada.
Comparando as Eqs. 31-36 e 31-40 ou examinando a Fig. 31-11a, vemos que as grandezas v e i estão C C
defasadas de 90o (o que equivale a π/2 rad ou um quarto de ciclo) e iC está adiantada em relação a vC, ou seja,
quando medimos i e v no circuito da Fig. 31-10 em função do tempo, i atinge o valor máximo um quarto de C C C ciclo antes de vC.
Essa relação entre iC e vC está ilustrada no diagrama fasorial da Fig. 31-11b. Enquanto os fasores que
representam as duas grandezas giram com a mesma velocidade angular no sentido anti-horário, o fasor IC se mantém à frente do fasor V C, e o ângulo entre os dois fasores tem um valor constante de 90o, ou seja, quando o fasor IC coincide com o eixo vertical, o fasor VC coincide com o eixo horizontal. É fácil verificar que o diagrama
fasorial da Fig. 31-11b é compatível com as Eqs. 31-36 e 31-40.
Figura 31-11 o ( a ) A corrente no capacitor está adiantada de 90 (= π/2 rad) em relação à tensão. (b) Diagrama fasorial correspondente ao gráfico que está mostrado em (a).
Teste 4
A figura mostra, em (a), uma curva senoidal S(t) = sen(ωdt) e três outras curvas senoidais A(t), B(t) e C(t),
todas da forma sen(ω dt − ϕ). (a) Coloque as outras três curvas na ordem do valor de ϕ, começando pelo maior
valor positivo e terminando no maior valor negativo. (b) Estabeleça a correspondência entre as curvas da
parte (a) da figura e os fasores da parte (b). (c) Qual das curvas da parte (a) está adiantada em relação a todas
as outras?
Exemplo 31.04 Diferença de potencial e corrente para uma carga
capacitiva pura
Na Fig. 31-10, a capacitância C é 15,0 μF e o gerador produz uma força eletromotriz senoidal de amplitude
= 36,0 V e frequência fd = 60,0 Hz.
(a) Qual é a diferença de potencial v C(t) entre os terminais do capacitor em função do tempo e qual é a
amplitude V de v (t)? C C
IDEIA-CHAVE
Em um circuito com uma carga puramente capacitiva, a diferença de potencial v (t) entre os terminais do C
capacitor é igual à diferença de potencial (t) entre os terminais do gerador.
Cálculos: Nesse caso, v C(t) = (t) e VC = . Como é conhecida, podemos escrever
Para determinar vC(t), usamos a Eq. 31-28 para escrever
Em seguida, fazemos = 36,0 V e ω = 2πf = 120π na Eq. 31-43 para obter d d
(b) Qual é a corrente iC(t) no circuito e qual é a amplitude IC de iC(t)?
IDEIA-CHAVE
Em um circuito de CA com uma carga capacitiva pura, a corrente alternada iC(t) no capacitor está adiantada
de 90o em relação à diferença de potencial alternada vC(t) entre os terminais do capacitor, ou seja, a constante
de fase ϕ para a corrente é −90o ou −π/2 rad.
Cálculos: Nesse caso, podemos escrever a Eq. 31-29 na forma
Para calcular a amplitude IC da corrente no capacitor usando a Eq. 31-42 (VC = ICXC), precisamos conhecer a
reatância capacitiva X . De acordo com a Eq. 31-39 (X = 1/ω C), em que ω = 2πf , podemos escrever C C d d d
Nesse caso, de acordo com a Eq. 31-42, temos
Substituindo esse valor e ωd = 2πfd = 120π na Eq. 31-44, obtemos
Carga Indutiva
A Fig. 31-12 mostra um circuito formado por um indutor L e um gerador de corrente alternada cuja força
eletromotriz é dada pela Eq. 31-28. Aplicando a regra das malhas e procedendo como fizemos para obter a Eq. 31-
30, constatamos que a diferença de potencial entre os terminais do indutor é dada por
em que V é a amplitude da tensão alternada v no indutor. Utilizando a Eq. 30-35 ( = −L di/dt), podemos L L escrever a diferença de potencial entre os terminais de um indutor L no qual a corrente está variando à taxa diL/dt na forma
Combinando as Eqs. 31-45 e 31-46, obtemos
Figura 31-12 Circuito formado por um indutor L e um gerador de corrente alternada.
Nosso interesse, porém, está na corrente e não na derivada da corrente em relação ao tempo. Assim, integramos a
Eq. 31-47 para obter
Vamos agora modificar a Eq. 31-48 de duas formas. Em primeiro lugar, para padronizar a notação, vamos
definir a grandeza X , conhecida como reatância indutiva de um indutor, por meio da relação L
O valor de XL depende tanto da indutância como da frequência angular de excitação ωd. Sabemos, da definição de constante de tempo indutiva (τL = L/R), que a unidade de L no SI pode ser expressa em ohms-segundos. Usando
essa unidade na Eq. 31-49, vemos que a unidade de X no SI é o ohm, a mesma da resistência R e da reatância L capacitiva XC.
Em segundo lugar, substituímos −cos ω t na Eq. 31-48 por um seno com um deslocamento de fase de 90o: d
−cos ωdt = sen(ω o d t − 90).
Para mostrar que a identidade está correta, basta deslocar uma senoide 90o no sentido positivo.
Com essas duas modificações, a Eq. 31-48 se torna
De acordo com a Eq. 31-29, também podemos escrever a corrente no indutor como
em que IL é a amplitude de iL. Comparando as Eqs. 31-50 e 31-51, vemos que, para uma carga indutiva pura, a constante de fase ϕ da corrente é +90o. Vemos também que a amplitude da tensão e a amplitude da corrente estão relacionadas pela equação
Embora essa relação tenha sido demonstrada apenas para o circuito da Fig. 31-12, ela se aplica a qualquer indutância em qualquer circuito de corrente alternada.
Comparando as Eqs. 31-45 e 31-50 ou examinando a Fig. 31-13a, vemos que as grandezas vL e iL estão
defasadas de 90o, e iL está atrasada em relação a vL, ou seja, quando medimos iL e vL no circuito da Fig. 31-12 em função do tempo, iL atinge o valor máximo um quarto de ciclo depois de vL.
Essa relação entre i e v está ilustrada no diagrama fasorial da Fig. 31-13b. Enquanto os fasores que L L
representam as duas grandezas giram com a mesma velocidade angular no sentido anti-horário, o fasor VL se mantém à frente do fasor I e o ângulo entre os dois fasores tem um valor constante de 90o, ou seja, quando o fasor L
VL coincide com o eixo vertical, o fasor IL coincide com o eixo horizontal. É fácil verificar que o diagrama fasorial
da Fig. 31-13b é compatível com as Eqs. 31-45 e 31-50.
Figura 31-13 o ( a ) A corrente no indutor está adiantada de 90 (= π/2 rad) em relação à tensão. (b) Diagrama fasorial correspondente ao gráfico mostrado em (a).
Teste 5
Quando aumentamos a frequência de excitação de um circuito que contém uma carga capacitiva pura, (a) a
amplitude VC aumenta, diminui ou permanece a mesma? (b) A amplitude IC aumenta, diminui ou permanece a
mesma? Quando aumentamos a frequência de excitação de um circuito que contém uma carga indutiva pura,
(c) a amplitude V aumenta, diminui ou permanece a mesma? (d) A amplitude I aumenta, diminui ou L L
permanece a mesma?
Táticas para a Solução de Problemas
Tensões e Correntes em Circuitos de CA: A Tabela 31-2 mostra a relação entre a corrente i e a tensão v nos
três tipos de componentes que acabamos de discutir. Quando uma tensão alternada é aplicada a esses
componentes, a corrente está em fase com a tensão nos resistores, está adiantada em relação à tensão nos
capacitores e está atrasada em relação à tensão nos indutores.
Alguns estudantes usam a frase mnemônica “ELI, que TOLICE!” para não esquecer essas relações. ELI
contém a letra L (símbolo do indutor), e nessa palavra a letra I (símbolo de corrente) vem depois da letra E
(símbolo de força eletromotriz ou tensão). Assim, em um indutor a corrente está atrasada em relação à
tensão. Por outro lado, a palavra TOLICE contém a letra C (símbolo do capacitor), e nessa palavra a letra I
vem antes da letra E, que significa que a corrente está adiantada em relação à tensão. O leitor também pode
usar a frase “Positivamente, ELI, isso é uma TOLICE!” para se lembrar de que a constante de fase é positiva
para os indutores.
Se o leitor tiver dificuldade para lembrar se XC é igual a ωdC (errado) ou 1/ωdC (certo), pense que C fica
na “cova”, ou seja, no denominador.
Tabela 31-2 Relações de Fase e Amplitude para Correntes e Tensões Alternadas
Componente Símbolo Resistência Fase da Constante
ou Corrente de Fase A
Reatância (ou
Ângulo)
ϕ
Resistor R R Em fase 0o (= 0
com vR rad)
Capacitor L X o C = 1/ ω d C Adiantada −90 (=
de 90o (= −π/2 rad) π/2 rad) em
relação a
vC
Indutor C X = ω L Atrasada L d +90o (=
de 90o (= +π/2 rad) π/2 rad) em
relação a
vL
Exemplo 31.05 Diferença de potencial e corrente para uma carga indutiva
pura
Na Fig. 31-12, a indutância L é 230 mH e o gerador produz uma força eletromotriz de amplitude = 36,0 V
e frequência f d = 60,0 Hz.
(a) Qual é a diferença de potencial v (t) entre os terminais do indutor e qual é a amplitude V de v (t)? L L L
IDEIA-CHAVE
Em um circuito com uma carga puramente indutiva, a diferença de potencial vL(t) entre os terminais do
indutor é sempre igual à diferença de potencial (t) entre os terminais do gerador.
Cálculos: Nesse caso, v L(t) = (t) e VL = . Como é conhecida, podemos escrever
Para determinar vL(t), usamos a Eq. 31-28 para escrever
Em seguida, fazemos = 36,0 V e ωd = 2πfd = 120π na Eq. 31-53 para obter