Fundamentos de Física, Volume 3: Eletromagnetismo
Oscilações em um Circuito LC : Análise Quantitativa
q corresponde a x, 1/C corresponde a k,
i corresponde a v e L corresponde a m.
Essas correspondências sugerem que, em um oscilador LC, o capacitor se comporta matematicamente como a mola de um sistema bloco-mola, e o indutor se comporta como o bloco.
Vimos no Módulo 15-1 que a frequência angular de oscilação de um sistema bloco-mola sem atrito é
As correspondências sugerem que, para determinar a frequência angular de oscilação de um circuito LC ideal (sem resistência), k deve ser substituído por 1/C e m por L, o que nos dá
Oscilações em um Circuito LC: Análise
Quantitativa
Vamos agora mostrar explicitamente que a Eq. 31-4 é a expressão correta para a frequência angular das oscilações em um circuito LC. Ao mesmo tempo, examinaremos mais de perto a analogia entre as oscilações de um circuito LC e de um sistema bloco-mola. Começamos por ampliar um pouco nosso tratamento anterior do oscilador mecânico bloco-mola.
O Oscilador Bloco-Mola
Analisamos as oscilações do sistema bloco-mola no Capítulo 15 em termos da transferência de energia, mas não chegamos a escrever a equação diferencial que governa essas oscilações; é o que vamos fazer agora.
A energia total U de um oscilador bloco-mola é dada, em qualquer instante de tempo, pela equação
em que U e U são, respectivamente, a energia cinética do bloco e a b m
energia potencial da mola. Se o atrito é desprezível, a energia total U não varia com o tempo, ou seja, dU/dt = 0. Assim, temos
Entretanto, v = dx/dt e dv/dt = d2x/dt2. Com essas substituições, a Eq. 31-6 se torna
A Eq. 31-7 é a equação diferencial a que obedecem às oscilações massa-mola sem atrito.
A solução geral da Eq. 31-7, ou seja, a função x(t) que descreve as oscilações, é (como vimos na Eq. 15-3)
em que X é a amplitude das oscilações mecânicas (representada por x no m Capítulo 15), ω é a frequência angular das oscilações e ϕ é uma constante de fase.
O Oscilador LC
Vamos agora analisar as oscilações de um circuito LC sem resistência, procedendo exatamente como fizemos no caso do oscilador bloco-mola. A energia total U presente em qualquer instante em um circuito LC oscilante é dada por
em que U é a energia armazenada no campo magnético do indutor e U é a B E energia armazenada no campo elétrico do capacitor. Como supusemos que a resistência do circuito é zero, nenhuma energia é transformada em energia térmica e U permanece constante, ou seja, dU/dt = 0. Assim, temos
Entretanto, i = dq/dt e di/dt = d2q/dt2. Com essas substituições, a Eq. 31-10 se torna
Essa é a equação diferencial que descreve as oscilações em um circuito LC
sem resistência. As Eqs. 31-11 e 31-7 têm exatamente a mesma forma matemática.
Oscilações de Carga e de Corrente
Quando duas equações diferenciais são matematicamente equivalentes, as soluções também são matematicamente equivalentes. Como q corresponde
a x, podemos escrever a solução geral da Eq. 31-11, por analogia com a Eq.
31-8, como
em que Q é a amplitude das variações de carga, ω é a frequência angular
das oscilações eletromagnéticas e ϕ é a constante de fase. Derivando a Eq.
31-12 em relação ao tempo, obtemos a corrente em um circuito LC: A amplitude I dessa corrente senoidal é
e, portanto, podemos reescrever a Eq. 31-13 na forma
Frequências Angulares
Podemos confirmar que a Eq. 31-12 é uma solução da Eq. 31-11
substituindo a Eq. 31-12 e sua derivada segunda em relação ao tempo na
Eq. 31-11. A derivada primeira da Eq. 31-12 é a Eq. 31-13. A derivada segunda é, portanto,
Substituindo q e d2q/dt2 por seus valores na Eq. 31-11, obtemos
Dividindo ambos os membros por Q cos(ωt + ϕ) e reagrupando os termos, obtemos
Assim, a Eq. 31-12 é realmente uma solução da Eq. 31-11, contanto que
. Observe que a expressão de ω é a mesma da Eq. 31-4, à qual
chegamos usando correspondências.
A constante de fase ϕ da Eq. 31-12 é determinada pelas condições que existem em um dado instante, como t = 0, por exemplo. De acordo com a
Eq. 31-12, se ϕ = 0 no instante t = 0, q = Q e, de acordo com a Eq. 31-13, i
= 0. Essas são as condições representadas na Fig. 31-1a. Oscilações da Energia Elétrica e Magnética
De acordo com as Eqs. 31-1 e 31-12, a energia elétrica armazenada no circuito LC no instante t é dada por
Figura 31-4 Energia magnética e energia elétrica armazenada no circuito da Fig. 31-1 em função do tempo. Observe que a soma das duas energias é constante. T é o período das oscilações.
De acordo com as Eqs. 31-2 e 31-13, a energia magnética armazenada é dada por
Substituindo ω por seu valor, dado pela Eq. 31-4, temos
A Fig. 31-4 mostra os gráficos de U (t) e U (t) para o caso de ϕ = 0. E B Observe que
1. O valor máximo tanto de U (t) como de U (t) é Q2/2C. E B
2. Em qualquer instante, a soma de U (t) e U (t) também é Q2/2C. E B
3. Quando U (t) é máxima, U (t) é mínima, e vice-versa. E B
Teste 2
Um capacitor em um circuito LC tem uma diferença de potencial
máxima de 17 V e uma energia máxima de 160 μJ. Quando o capacitor
tem uma diferença de potencial de 5 V e uma energia de 10 μJ, (a) qual
é a força eletromotriz entre os terminais do indutor e (b) qual a energia
armazenada no campo magnético?
Exemplo 31.01 Variação de potencial e taxa
de variação da corrente em um circuito LC
Um capacitor de 1,5 μF é carregado por uma bateria de 57 V, que, em
seguida, é desligada. No instante t = 0, um indutor de 12 mH é ligado
ao capacitor para formar um circuito LC (Fig. 31-1).
(a) Qual é a diferença de potencial v (t) entre os terminais do indutor L
em função do tempo?
IDEIAS-CHAVE
(1) A corrente e as diferenças de potencial do circuito (a diferença de
potencial do capacitor e a diferença de potencial do indutor) variam de
forma senoidal. (2) Podemos aplicar a um circuito oscilante a mesma
regra das malhas que aplicamos a circuitos não oscilantes no Capítulo
27.
Cálculos: Aplicando a regra das malhas ao circuito Fig. 31-1, temos,
para qualquer instante de tempo t,
ou seja, como a diferença de potencial para o circuito como um todo é
zero, a diferença de potencial v do indutor é sempre igual à diferença L
de potencial v do capacitor. Assim, podemos calcular v (t) a partir de C L
v (t) e podemos calcular v (t) a partir de q(t) usando a Eq. 25-1 (q = C C
CV).
Como a diferença de potencial v (t) é máxima no instante t = 0 C
em que as oscilações começam, a carga q do capacitor também é
máxima nesse instante. Assim, a constante de fase ϕ é zero e a Eq. 31-
12 nos dá
[Note que a função cosseno realmente passa por um máximo (= 1) para
t = 0, o que nos dá q = Q.] Para calcular a diferença de potencial v (t), C
dividimos ambos os membros da Eq. 31-19 por C para obter
e usamos a Eq. 25-1 para escrever
Aqui, V é a amplitude das oscilações da diferença de potencial v do C C
capacitor.
De acordo com a Eq. 31-18, v = v ; portanto, C L
Podemos calcular o lado direito da Eq. 31-21 observando que a
amplitude V é igual à diferença de potencial inicial (máxima) de 57 V C
entre os terminais do capacitor. Em seguida, usamos a Eq. 31-4 para
calcular ω: