Fundamentos de Física, Volume 3: Eletromagnetismo
Potência em Circuitos de Corrente Alternada
No circuito RLC da Fig. 31-7, a fonte de energia é o gerador de corrente alternada. Parte da energia fornecida pelo gerador é armazenada no campo elétrico do capacitor, parte é armazenada no campo magnético do indutor e parte é dissipada como energia térmica no resistor. No regime estacionário, isto é, depois de transcorrido um tempo suficiente para que o circuito se estabilize, a energia média armazenada no capacitor e no indutor juntos permanece constante. A transferência líquida de energia é, portanto, do gerador para o resistor, onde a energia eletromagnética é convertida em energia térmica.
Figura 31-17 (a) Gráfico de sen θ em função de θ. O valor médio da função ao longo de um ciclo é zero. ( 2 b ) Gráfico de sen θ em função de θ. O valor médio da função ao longo de um ciclo é 1/2.
A taxa instantânea com a qual a energia é dissipada no resistor pode
ser escrita, com a ajuda das Eqs. 26-27 e 31-29, na forma
A taxa média com a qual a energia é dissipada no resistor é a média no
tempo da Eq. 31-68. Em um ciclo completo, o valor médio de sen θ é zero
(Fig. 31-17a), mas o valor médio de sen2 θ é 1/2 (Fig. 31-17b). (Observe na
Fig. 31-17b que as partes sombreadas sob a curva, que ficam acima da reta horizontal +1/2, completam exatamente os espaços vazios que ficam abaixo
da mesma reta.) Assim, de acordo com a Eq. 31-68, podemos escrever
A grandeza é chamada valor médio quadrático, ou valor rms,1 da corrente I:
Podemos escrever a Eq. 31-69 na forma
A Eq. 31-71 tem a mesma forma que a Eq. 26-27 (P = i2R); isso significa que, usando a corrente rms, podemos calcular a taxa média de dissipação de energia em circuitos de corrente alternada como se estivéssemos trabalhando com um circuito de corrente contínua.
Podemos também definir o valor rms de uma tensão alternada e de uma força eletromotriz alternada:
Os instrumentos usados em circuitos de corrente alternada, como amperímetros e voltímetros, são quase sempre calibrados para indicar valores de I , V e . Assim, quando ligamos um voltímetro de corrente rms rms rms
alternada a uma tomada de parede e obtemos um valor de 120 V, trata-se da tensão rms. O valor máximo da diferença de potencial em uma tomada de parede é . Em geral, os cientistas e engenheiros usam os
valores rms das grandezas elétricas, e não os valores máximos.
Como o fator de proporcionalidade nas Eqs. 31-70 e 31-72 é o
mesmo para as três variáveis, podemos escrever as Eqs. 31-62 e 31-60 como
e, na verdade, essa é, na prática, a forma que mais se usa.
Podemos usar a relação I = /Z para escrever a Eq. 31-71 de outra rms rms forma. Temos
Acontece que, de acordo com a Fig. 31-14d, a Tabela 31-2 e a Eq. 31-
62, R/Z é o cosseno da constante de fase ϕ:
A Eq. 31-74 se torna, portanto,
em que o termo cos ϕ recebe o nome de fator de potência. Como cos ϕ =
cos(−ϕ), a Eq. 31-76 é independente do sinal da constante de fase ϕ.
Para maximizar a taxa com a qual a energia é fornecida a uma carga resistiva em um circuito RLC, devemos manter o fator de potência o mais próximo possível da unidade, o que equivale a manter a constante de fase ϕ
da Eq. 31-29 o mais próximo possível de zero. Se, por exemplo, o circuito é altamente indutivo, ele pode se tornar menos indutivo ligando um capacitor adicional em série com o circuito. (Lembre-se de que colocar uma capacitância em série com uma capacitância já existente reduz a capacitância total C e de que a reatância capacitiva é inversamente eq
proporcional à capacitância.) As empresas de energia elétrica costumam ligar capacitores em série com as linhas de transmissão para obter esse resultado.
Teste 7
(a) Se a corrente em um circuito RLC série com excitação senoidal está
adiantada em relação à força eletromotriz, devemos aumentar ou
diminuir a capacitância para aumentar a taxa com a qual a energia da
fonte é fornecida à resistência? (b) Essa mudança aproxima ou afasta a
frequência de ressonância do circuito da frequência da força
eletromotriz da fonte?
Exemplo 31.07 Fator de potência e potência
média de um circuito RLC alimentado por uma
fonte
Um circuito RLC série, alimentado por uma fonte com = 120 V e f rmsd
= 60,0 Hz, contém uma resistência R = 200 Ω, uma indutância com
uma reatância indutiva X = 80,0 Ω e uma capacitância com uma L
reatância capacitiva X = 150 Ω. C
(a) Determine o fator de potência cos ϕ e a constante de fase ϕ do
circuito.
IDEIA-CHAVE
O fator de potência cos ϕ pode ser calculado a partir da resistência R e
da impedância Z usando a Eq. 31-75 (cos ϕ = R/Z).
Cálculos: Para calcular Z, usamos a Eq. 31-61:
A Eq. 31-75 nos dá
Tomando o arco cosseno, obtemos
ϕ = cos−1 0,944 = ±19,3o
Tanto +19,3o como −19,3o têm um cosseno de 0,944. Para determinar
qual é o sinal correto, temos que verificar se a corrente está adiantada
ou atrasada em relação à força eletromotriz. Como X > X , o circuito é C L
mais capacitivo que indutivo, com a corrente adiantada em relação à
força eletromotriz. Assim, o ângulo de fase ϕ deve ser negativo:
Poderíamos também ter usado a Eq. 31-65 para calcular ϕ. Nesse caso,
uma calculadora forneceria a resposta já com o sinal negativo.
(b) Qual é a taxa média P com a qual a energia é dissipada na méd
resistência?
IDEIAS-CHAVE
Existem duas formas de abordar o problema: (1) Como estamos
supondo que o circuito está no regime estacionário, a taxa com a qual a
energia é dissipada na resistência é igual à taxa com a qual a energia é
fornecida ao circuito, que pode ser calculada com o auxílio da Eq. 31-
76 (P = I cos ϕ). (2) A taxa com a qual a energia é dissipada na méd rms rms
resistência R pode ser calculada a partir do valor rms da corrente, I , rms
usando a Eq. 31-71 .
Primeira abordagem: O valor rms da força eletromotriz, , é um rms
dos dados do problema, e o valor de cos ϕ foi calculado no item (a). O
valor de I pode ser calculado a partir do valor rms da força rms
eletromotriz e da impedância Z do circuito (que é conhecida) usando a
Eq. 31-73:
Substituindo este resultado na Eq. 31-76, obtemos
Segunda abordagem: Temos
(c) Que nova capacitância C deve ser usada no circuito para nova
maximizar P sem mudar os outros parâmetros do circuito? méd
IDEIAS-CHAVE
(1) A taxa média P com a qual a energia é fornecida e dissipada é méd
máxima quando o circuito está em ressonância com a força
eletromotriz aplicada. (2) A ressonância acontece para X = X . C L
Cálculos: De acordo com os dados do problema, temos X > X . C L
Assim, precisamos reduzir X para conseguir a ressonância. De acordo C
com a Eq. 31-39 (X = 1/ω C); isso significa que a nova capacitância C d
deve ser maior que a anterior.
De acordo com a Eq. 31-39, a condição X = X pode ser escrita C L
na forma