Fogo Cruzado
capítulo 6
POR VOLTA DAS SETE E MEIA UM Lincoln Navigator preto parou na frente da Taberna del Alabardero, um restaurante chique frequentado pelas estrelas de Washington.
Dois homens saíram pelas portas de trás, um de cada lado, e outro emergiu da frente, enquanto o motorista permaneceu no carro. Os três usavam ternos pretos, com gravatas praticamente iguais.
Gravata de banqueiro, pensou Denny. Eu não usaria uma dessas nem no meu enterro.
– Os dois do banco de trás. Está vendo?
– Estou, Denny.
Tudo estava encaixado. A compensação da mira daria conta das duas principais forças que alteravam a direção de qualquer bala: o vento, se houvesse, e a gravidade. Daquele ângulo o cano podia estar alto, mas a cruz da mira colocaria o olho de Mitch exatamente onde era necessário.
Denny viu os alvos através de sua própria luneta. Aquele era o melhor lugar. Pelo menos o segundo melhor.
– Atirador pronto? – perguntou ele.
– Pronto.
– Manda ver.
Mitch expirou devagar, depois disparou dois tiros em dois segundos.
Trilhas de vapor surgiram no ar. Os dois homens caíram – um na calçada e o outro chapado contra a porta da frente do restaurante. Em termos visuais, foi espetacular: dois tiros perfeitos na base de dois crânios.
Todo mundo na rua já estava surtando. O terceiro homem literalmente mergulhou de volta no carro, enquanto todas as outras pessoas corriam ou se abaixavam e cobriam a cabeça.
Não precisavam se preocupar. A missão estava terminada. Mitch já começara a desmontar tudo – o sujeito era rápido como um mecânico de Fórmula 1.
Denny tirou o M21 das costas, puxou o pente e começou a guardá-lo. Quarenta segundos depois, ambos estavam na escada, em disparada para o térreo.
– Ei, Mitch, você não estava planejando se candidatar a nada, estava?
Mitch gargalhou.
– Talvez a presidente, algum dia.
– Você foi perfeito lá em cima. Devia se orgulhar.
– Estou orgulhoso, Denny. Aqueles dois sanguessugas não vão prejudicar mais ninguém.
– Dois porquinhos mortos na rua!
Mitch guinchou – na verdade foi uma imitação bem fiel de um suíno – e Denny o acompanhou até suas vozes ecoarem na escada vazia. Os dois estavam embriagados com o sucesso da empreitada. Que barato!
– E você sabe quem é o herói desta história, não sabe, Mitchie?
– Ninguém além de nós, cara.
– É isso aí. Nós fizemos tudo sozinhos. Dois verdadeiros heróis americanos!