Fogo Cruzado
capítulo 100
AS 24 HORAS SEGUINTES AO atentado no Harman foram de esforço máximo, como eu raras vezes vira em Washington. Nosso Centro de Informações de Comando efetuou batidas de trânsito durante toda a noite; a Divisão de Casos Especiais colocou as duas unidades nas ruas; e a Divisão de Narcóticos e Investigações Especiais recebeu ordem de deixar de lado todas as tarefas que não fossem essenciais, e isso somente dentro da Polícia Metropolitana.
Equipes atuavam no Departamento de Polícia do Capitólio, no Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos e até no Serviço Secreto.
De manhã, a caçada a Steven Hennessey passara de regional a nacional e em seguida a internacional. O FBI tinha sido convocado em sua totalidade e estava procurando-o em toda parte. A CIA também estava envolvida.
A importância daqueles assassinatos começara a ficar de fato evidente. Os juízes Summers e Ponti eram a esquerda não oficial na Suprema Corte, amados por metade do país e vistos como raposas no galinheiro, basicamente, pela outra metade.
Na Polícia Metropolitana, todos os que participaram da nossa reunião do fim da tarde pareciam zumbis. Ninguém dormira muito durante a noite e havia uma espécie de tensão palpável no ar.
O chefe Perkins comandou a reunião. Não houve observações introdutórias.
– O que temos até agora? – perguntou ele de imediato. A maior parte dos comandantes do departamento estava ali também. Todos os lugares foram ocupados e havia pessoas de pé ao longo da sala inteira, remexendo-se. – Podem falar – continuou. – Qualquer um.
– A linha telefônica especial e o site estão pegando fogo – informou Gerry Hockney, um dos comandantes de distrito. – Todo mundo acha que tem alguma informação. Dizem que Hennessey é agente do governo. Que está escondido numa instalação em Ohio. Que está na Flórida. Que está em Toronto...
Perkins interrompeu-o.
– Alguma coisa digna de crédito? Preciso saber o que temos, não um monte de baboseiras.
– É cedo demais para dizer, para ter certeza de qualquer coisa. Estamos sobrecarregados, senhor.
– Não posso fazer nada. Alguém mais? Alex?
Acenei de onde estava.
– Estou esperando um relatório de armas daquele homicídio duplo na Avenida Vermont ontem à noite. Dois desconhecidos foram encontrados mortos à bala num carro, com dinheiro mas sem documentos. Foi definitivamente uma 9mm, mas ainda não sabemos se é a mesma arma que matou Mitch Talley.
Um zum-zum enorme agitou a sala e eu tive de gritar para recuperar a atenção de todos.
– Mesmo que tenha sido – continuei –, o máximo que isso pode dizer sobre Hennessey a curto prazo é que ele estava na cidade em algum momento entre a meia-noite e as quatro da madrugada.
– O que significa que agora ele pode estar em qualquer lugar – disse Sampson, resumindo a história. – O que significa que a gente deveria encerrar esta merda aqui e voltar para lá.
– Vocês acham que Hennessey estava trabalhando para os dois mortos no carro? – perguntou alguém mesmo assim.
– Não sabemos – respondi. – Ainda estamos tentando descobrir quem são eles. Mas parece que Hennessey está eliminando qualquer coisa ou pessoa que possa nos levar a ele. Se terminou ou não é outra questão para a qual não temos resposta.
Um tenente que estava na primeira fila disse:
– Quer dizer: terminou de eliminar os vestígios ou terminou com os atentados?
As perguntas eram naturais, mas estavam começando a me dar nos nervos. Levantei as mãos, dando de ombros.
– Você escolhe.
– Então, em outras palavras – interveio o chefe Perkins –, já se passaram quase 24 horas e sabemos menos do que antes sobre esses assassinatos, não é?
Ninguém queria responder. Houve um longo silêncio na sala.
– É por aí – respondi finalmente.