Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 74 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 70

 

TELEFONEI DE NOVO PARA Rakeem Powell e pedi que a segurança na minha casa passasse a ser feita 24 horas por dia. Pegaria um empréstimo se fosse necessário; no momento não estava preocupado com os custos. Não podia ter certeza de qual era o objetivo final de Kyle, mas não iria esperar que ele me atacasse mais uma vez.

Passei a maior parte do dia no Edifício Hoover. Com a morte súbita de Anjali, o lugar parecia um velório, a não ser no Centro de Operações de Informações Estratégicas, que estava agitado como um pregão da bolsa de valores.

O próprio diretor do FBI, Ron Burns, disponibilizou para nós sua sala de operações e a caçada humana a Kyle Craig voltou com força total. O caso não era pessoal somente para mim. Craig já era o maior escândalo interno dos mais de 100 anos de história do Bureau. E agora havia matado outra agente, talvez para se vingar do FBI também.

Todos os lugares às mesas do Centro de Operações estavam ocupados. As cinco telas principais na frente da sala mostravam imagens e vídeos antigos de Kyle, além de mapas nacionais e internacionais com marcadores eletrônicos para suas vítimas conhecidas, pessoas associadas e movimentos no passado.

Ficamos conectados o dia inteiro com Denver, Nova York, Chicago, Paris – todos os lugares onde Kyle teria morado desde a fuga da penitenciária de segurança máxima de Florence. E todos os escritórios de campo do país estavam em alerta máximo.

Mesmo assim, com tudo isso, precisávamos aceitar o fato de que ninguém fazia ideia de onde Kyle estava.

– Não sei o que dizer, Alex – falou Burns, andando de um lado para o outro. Tínhamos acabado de encerrar uma maratona de teleconferências. – Não temos nada de útil, nenhuma prova concreta de que Kyle matou Tambour ou Patel, ou mesmo de que esteve em Washington. E não encontramos nada naquela Beretta que você pegou no depósito de provas, por sinal.

A arma da qual ele falava era a que Bronson James havia usado na tentativa de assalto. Minha ideia original era que Pop-Pop a havia conseguido com algum membro de gangue, mas Kyle Craig poderia facilmente ter posto a arma na mão dele. Eu sabia que Kyle gostava de Berettas e ele sabia que eu sabia.

– Eu sou a prova – respondi. – Ele telefonou para mim. Fez ameaças. O sujeito está obcecado comigo, Ron. Na mente dele eu sou o único que já o derrotou e ele é competitivo ao extremo.

– E os tais discípulos dele? Só para a gente pensar nisso também. – Burns estava se dirigindo principalmente a mim, mas inclusive a uma dúzia de outros agentes que tomavam notas e batucavam nas teclas de seus laptops enquanto ele falava. – O sujeito tem seguidores e alguns deles parecem dispostos a morrer seguindo suas ordens. Isso já aconteceu antes. Como podemos saber se ele não incumbiu um deles de cometer esses assassinatos?

– Porque os crimes eram direcionados a mim – respondi devagar. – Essa é a parte que Kyle desejaria fazer pessoalmente.

– Mesmo assim. – Burns parou de andar e se sentou. – Estamos nos afastando do ponto aqui. Quer Craig tenha cometido os assassinatos ou não, o que temos a fazer é quase a mesma coisa. Continuar investigando as cenas dos crimes. Garantir que nosso radar esteja funcionando e que nosso pessoal esteja o mais preparado possível na próxima vez em que ele atacar.

– Isso não basta. Que merda! – gritei, empurrando minhas anotações para fora da mesa e, junto com elas, os papéis de algumas outras pessoas. Lamentei imediatamente. – Desculpem. Desculpem.

Burns se abaixou perto de onde eu estava catando os papéis e estendeu a mão para me ajudar a levantar.

– Faça uma pausa. Vá jantar. Não há mais nada que possa ser feito neste exato momento.

Gostasse eu ou não, ele estava certo. Eu estava exausto e meio sem graça, e definitivamente precisava passar um tempo em casa. Assim que peguei minhas coisas, saí.

Enquanto esperava o elevador, senti meu telefone vibrar pela enésima vez naquele dia. Fora um jorro constante de telefonemas da Polícia Metropolitana, de Sampson, Bree, Nana...

Mas desta vez, quando olhei o identificador, dizia apenas: “Um Amigo”.

– Alex Cross – respondi, já voltando para o Centro de Operações.

– Olá, Alex – disse Kyle Craig. – Estamos agora bem no meio do agito, não é?