Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 23 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 19

 

EU QUERIA QUE ELE FOSSE para o inferno! Por tudo.

Kyle havia conseguido exatamente o que queria: injetar-se na minha vida. Tinha todos os meus contatos. Agora não havia opção além de reagir.

Uma radiopatrulha da Polícia Metropolitana estava diante da minha casa quando chegamos e havia um policial uniformizado nos fundos, perto da garagem. Sampson também estava lá. Não sabia quem tinha ligado para ele, mas fiquei feliz por vê-lo.

– Tudo bem, minha querida, estamos aqui – dizia ele quando entramos. Sampson e Nana estavam de papo na cozinha. A essa altura ela até havia feito um sanduíche de presunto e batatas fritas para ele.

– Isso não acabou – falei. Era uma dificuldade manter a voz baixa enquanto as crianças dormiam lá em cima. – Precisamos falar sobre mudarmos a família para outro lugar.

– Ah, é? – perguntou Nana, e a temperatura no cômodo baixou uns 20 graus.

– Nana...

– Não, Alex. De novo, não. Faça o que for preciso em relação às crianças. Mas, quanto a mim, falei sério quando disse na última vez que seria a última. Não vou me mudar desta casa e ponto final.

Antes que eu pudesse ao menos responder, ela decidiu que ainda não havia acabado, afinal.

– E outra coisa. Se esse tal de Kyle Craig é tão bom como você diz, não importa para onde você leve as crianças. O que importa, detetive Cross, é que você as proteja onde elas estiverem. – Sua voz estava trêmula, mas o dedo se mantinha firme enquanto ela apontava direto para a minha cara. – Defenda a sua casa, Alex. Certifique-se de que isso aconteça! Você deveria ser bom no que faz.

Ela bateu duas vezes na mesa com a palma da mão e se recostou de volta. Era a minha vez.

Primeiro respirei fundo e contei até 10. Depois pedi a Bree que começasse de imediato o processo de emitir um boletim de busca.

– Ponha no Sistema Policial de Washington, em todas as jurisdições, e depois, assim que pudermos, vamos colocar no Centro Nacional de Informações Criminais, no FBI. – Para isso precisaríamos de um número de mandado e Sampson se propôs a ir atrás dele.

Eu mesmo liguei para o escritório de campo do FBI em Denver. Tecnicamente, Kyle era caso deles, já que havia escapado da prisão no Colorado.

Ao telefone, o agente Tremblay me disse que eles não tinham nada de novo para informar, mas que faria contato naquele momento com todos os escritórios de campo da região localizada entre a Nova Inglaterra e o sul do país. Esse era um caso prioritário para eles também, e não somente por causa dos danos que Kyle causara à reputação do Bureau na primeira vez. Eu tinha a sensação de que teria notícias de Jim Heekin, da Diretoria de Informações em Washington, de manhã logo cedo.

Enquanto isso dei outro telefonema e acordei meu colega e ocasional parceiro em treinos de boxe Rakeem Powell.

Rakeem estava na polícia havia 15 anos e era detetive da 103 havia oito. Até que, no período de seis meses, casou-se e levou um tiro, nesta ordem, e acabou se aposentando precocemente.

Ninguém jamais havia pensado que um dia Rakeem deixaria o departamento, mas ninguém imaginava também que em algum momento ele sossegaria. Agora possuía sua própria empresa de segurança em Silver Spring e eu estava prestes a me tornar seu cliente.

Às sete da manhã daquele dia tínhamos todo um sistema funcionando. As crianças estavam recebendo proteção minha e de Bree na ida e na volta da escola, com Sampson como apoio. A firma de Rakeem faria a segurança à noite, na frente e nos fundos, com cobertura diurna quando necessário. Além disso, eles passariam o primeiro dia avaliando as áreas penetráveis da casa e tentando fazer com que elas já estivessem com alarme quando as crianças chegassem.

Nana tentou bater o pé por causa dos agentes do FBI no quintal, mas fui irredutível. Seguindo suas instruções, eu estava me certificando de que as coisas acontecessem. A essa altura nós dois mal nos falávamos e ninguém estava feliz com isso, mas esta era a nossa realidade agora.

Vivendo em estado de sítio. Kyle Craig estava de volta às nossas vidas.