Fogo Cruzado
capítulo 14
KYLE ESPEROU MAIS DOIS DIAS , passou algumas noites em Washington, hospedou-se no Hotel Princess. Depois tirou Max Siegel das sombras de uma vez por todas.
Era uma empolgação inacreditável passar com o BMW recém-alugado de Siegel pela familiar cabine da guarda e entrar na garagem do Edifício Hoover. Aquele lugar contava com todas as medidas de segurança do mundo e ali estavam eles cumprimentando o próprio Sr. Mais Procurado, que entrava direto na sede do FBI.
Maravilha.
O documento de identidade de Siegel levou Kyle direto ao quinto andar. Receberam-no numa das salas de reuniões do Centro de Operações de Informações Estratégicas que davam para a Avenida Pennsylvania: dois representantes da Seção de Quadrilhas e Empreendimentos Criminosos, um da Diretoria de Informações e dois diretores assistentes vindos do escritório principal e do de campo, em Washington.
A agente Patty Li parecia encarregada da reunião.
– Sei que este é um momento tenso, agente Siegel, mas há algo que você precisa saber. Seu controlador original, Steven Malinowski, morreu há dois dias.
Kyle manteve a compostura profissional, com apenas a quantidade certa de emoção.
– Ah, meu Deus. O que aconteceu com ele?
– Parece que morreu de um ataque cardíaco durante o banho, em casa.
– Não acredito. Eu estive lá ontem. Bati à porta dele. – Ele parou e passou a mão pelo rosto de um milhão de dólares: o grande ator em ação.
– Você fez bem em nos contatar diretamente – disse Li. – Assim que entregar seu relatório e passar pela entrevista completa, vou colocá-lo em licença administrativa...
– Não. – Kyle se empertigou e olhou direto nos olhos de Li. – Desculpe, mas essa é a última coisa de que preciso agora. Estou pronto para voltar ao trabalho.
– Você precisa se aclimatar. Durma, vá assistir a um jogo, sei lá. Você passou anos sendo outra pessoa, Max. Isso é um fardo pesado.
Aquilo tudo era como comer bem, fazer sexo e andar a 200 por hora com o farol apagado ao mesmo tempo. E a melhor parte era que aqueles idiotas do FBI estavam engolindo a história como se fossem bolinhos grátis.
– Com todo o respeito – anunciou ele a todos na sala –, eu gostaria que minha ficha falasse por si. Façam uma avaliação das minhas condições de trabalho, se acharem necessário. Só não me deixem de lado. Quero trabalhar. Acreditem, é disso que eu preciso.
Houve alguns olhos arregalados ao redor da mesa. Um dos caras do Esquadrão Antidrogas deu de ombros e fechou o dossiê pessoal que estava à sua frente. A decisão era de Li.
– Supondo que nós concordemos – disse ela –, o que você tem em mente?
– Acredito que estou em condições de ser um AES. – E era verdade. – É isso que eu quero.
– Agente Especial Supervisor? Vejo que você não perdeu nem um pouco da ambição.
– Também gostaria de ficar aqui em Washington, no escritório de campo. Acho que é onde posso causar mais danos – disse ele, só com um toque de autodepreciação para mantê-los na linha.
Hoje não haveria promessas, mas Kyle sabia que estava com a situação quase resolvida. E o posto no escritório de campo, ainda que não fosse estritamente necessário, era uma bela cereja para o bolo.
O lugar ficava na Praça do Judiciário, pertinho do Edifício Daly. Ele e Alex poderiam até enfileirar algumas latas entre suas salas e brincar de atirar, se quisessem. Não seria divertido?
Agora era só uma questão de tempo até se encontrarem de novo.