Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 8 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 4

 

APARECI NO FIM DA TARDE no Daly Building. Era uma ótima hora para colocar em dia a papelada que vivia brotando na minha mesa.

No entanto, quando cheguei à sala da Divisão de Casos Especiais, o chefe Perkins estava saindo para o corredor com alguém que não reconheci.

– Alex – disse ele. – Que bom! Você vai me economizar outra viagem. Pode nos acompanhar?

Obviamente, algo estava acontecendo, e não era bom. Quando o chefe quer fazer uma reunião, é você que vai até ele, não o contrário. Dei meia-volta e os segui na direção dos elevadores.

– Alex, este é Jim Heekin, o novo encarregado da Diretoria de Informações no FBI.

Trocamos um aperto de mãos. Heekin disse:

– Ouvi falar bastante de você, detetive Cross. Embora para o FBI tenha sido uma perda, foi um grande ganho para a Polícia Metropolitana você ter voltado para cá.

– Xi... – reagi. – Elogios nunca são bom sinal.

Todos rimos, mas era verdade. Muitos dos novos administradores no Bureau gostam de mostrar serviço quando assumem o cargo só para as pessoas saberem a que vieram. A questão era: o que a nova função de Heekin tinha a ver comigo?

Assim que nos acomodamos na grande sala de Perkins, Heekin foi muito mais específico.

– Imagino que você conheça os nossos GIV – disse ele.

– Grupos de Informações de Campo – falei. – Nunca trabalhei diretamente com eles, mas é claro que os conheço.

Os GIV tinham sido criados para reunir e compartilhar informações com as agências da lei em suas respectivas jurisdições. Na teoria, parecia uma boa ideia, mas alguns críticos viam isso como parte do costume que o Bureau tinha de passar adiante a responsabilidade pelas investigações criminais no país depois do 11 de Setembro.

– Como você deve saber – prosseguiu Heekin –, o grupo de Washington tem contato com todos os Departamentos de Polícia da nossa área, inclusive a Polícia Metropolitana. E também a Agência de Segurança Nacional, o Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos, o Serviço Secreto... Temos teleconferências mensais e nos encontramos pessoalmente quando necessário, dependendo de onde seja a ação.

Aquilo começava a parecer papo de vendedor, e eu já tinha quase certeza do que ele vendia.

– Em geral, os chefes de polícia representam seus departamentos junto aos GIV – continuou ele com seu discurso firme, bem ritmado –, mas gostaríamos que você assumisse essa função na Polícia Metropolitana.

Olhei para Perkins e ele deu de ombros.

– O que posso dizer, Alex? Estou ocupado demais.

– Não deixe que ele o engane – disse Heekin. – Eu falei com o chefe aqui e, antes disso, com o diretor Burns, no Bureau. Seu nome foi o único citado nas duas reuniões.

– Obrigado – respondi. – Isso é muito gentil, mas estou satisfeito com o meu departamento.

– Sim, exatamente. A Divisão de Casos Especiais é perfeita para essa função. No mínimo, vai tornar o seu trabalho mais fácil.

Percebi que aquilo não era uma oferta, e sim uma nomeação. Quando voltei para a polícia, Perkins me dera praticamente tudo o que eu havia pedido. Agora eu lhe devia uma. Nós dois estávamos cientes disso e ele sabia que eu gostava de jogar limpo.

– Sem mudança de cargo – falei. – Em primeiro lugar, sou investigador, não administrador.

Perkins riu do outro lado da mesa. Ele também parecia aliviado.

– Por mim está ótimo. Mantém você no mesmo nível salarial.

– E meus casos terão prioridade sobre todas as outras tarefas?

– Não creio que isso vá ser um problema – respondeu Heekin, já se levantando para sair. Ele apertou minha mão de novo junto à porta. – Parabéns, detetive. Você está subindo na vida.

É, pensei. Querendo ou não.