Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 42 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 38

 

APARECI NO ST. ANTHONY’S naquela manhã sentindo-me bastante bem com o modo como o dia havia começado. A conversa com Nana fora um pouco difícil, mas produtiva, pensei. Parecia que fazíamos parte do mesmo time de novo. Talvez fosse um sinal de que as coisas estavam melhorando de forma geral.

Ou não.

A assistente social de Bronson James, Lorraine Solie, me esperava no corredor quando cheguei. Assim que vi como seus olhos estavam vermelhos e inchados, meu estômago se encolheu.

– Lorraine? O que houve?

Ela começou a explicar, e então simplesmente caiu no choro. Lorraine era alta e muito magra, mas eu a vira segurar as pontas com algumas figuras muito barras-pesadas. Isso só podia significar que o pior tipo de coisa havia acontecido.

Levei-a para a minha sala e nos sentamos no sofá de vinil em que Bronson em geral se empoleirava nas nossas sessões.

Enfim tive de perguntar:

– Lorraine, ele morreu?

– Não – respondeu ela, enxugando os olhos. – Mas levou um tiro, Alex. Está no hospital com uma bala na cabeça e os médicos não acham que ele vá acordar.

Fiquei atordoado. Não deveria, mas fiquei. Sempre tinha tentado acreditar que esse tipo de coisa não necessariamente aconteceria com Bronson. Também era por isso que me esforçava ao máximo para não gostar demais do garoto, e tinha fracassado.

– O que aconteceu? Conte-me tudo. Por favor.

Devagar, Lorraine narrou o restante da história com a voz embargada. Parecia que ele tinha tentado roubar uma loja de bebidas em Congress Heights – um lugar chamado Cross Country Liquors. O nome – Cross – era uma coincidência tão grande que eu não tinha como não notar, mas não dei muita importância. Minha mente estava em Bronson, nada mais.

Pelo que sabíamos, era a primeira tentativa real de assalto à mão armada por parte do garoto. Ele havia entrado na loja com uma pistola, mas o dono também tinha uma – o que não era surpresa. Congress Heights era uma das áreas de maior ocorrência de crimes violentos identificadas pela Polícia Metropolitana. Parte do problema era que os moradores tinham ficado fartos de não fazer nada e haviam começado a contra-atacar – na rua, em casa e nos locais de trabalho.

Houvera uma discussão. Bronson disparou primeiro e errou. O homem atirou de volta e acertou Bronson na nuca. Pop-Pop tinha sorte de estar vivo, se é que se podia chamar aquilo de sorte.

– Onde ele está, Lorraine? Preciso vê-lo.

– No Howard, mas não sei onde a Medicaid vai alocá-lo. Todo o sistema de lares adotivos do estado está lotado, como você sabe. É uma confusão.

– E a arma? Temos alguma ideia de onde ele a conseguiu?

– Em qualquer lugar, Alex – respondeu ela com amargura. – Ele nem teve chance.

Era verdade, em mais de um sentido. Se eu tivesse de adivinhar, diria que tinha sido sua iniciação em alguma gangue e quem o mandara lá sabia exatamente quais eram suas chances. Era assim que a coisa funcionava. Se ele conseguisse executar o assalto, iriam querê-lo na turma, e, se não conseguisse, não serviria para eles, de qualquer maneira.

Droga, às vezes eu odiava esta cidade. Ou talvez a amasse demais e não conseguisse suportar aquilo que ela havia se tornado.