Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 78 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 74

 

MESMO SEM SABER QUE TERIA visitas, Bernice Talley conseguiu improvisar uma rápida sopa de mariscos, que serviu com um pão de boa qualidade, salada e algumas batatas recheadas de manteiga, creme azedo e até presunto canadense feitas no micro-ondas. Era o melhor jantar que Denny havia comido desde o começo daquilo tudo, passando a noite em abrigos e naquela porcaria de Suburban, de que estava feliz por ter se livrado. Encheu a pança, contente, enquanto a Sra. Talley conversava sobre pessoas de quem ele nunca ouvira falar. Mitch praticamente só ouvia.

Por fim, depois de repetir o sorvete de baunilha com montes de cobertura de chocolate, Denny empurrou a cadeira para trás e esticou os braços e as pernas.

– Minha senhora, isso foi espetacular – disse.

A Sra. Talley sorriu, satisfeita.

– Espere até experimentar minhas panquecas.

– Não vamos passar a noite, mãe – disse Mitch, prestando mais atenção à tigela de sorvete do que a ela.

A fisionomia da senhora mudou de imediato.

– Como assim? Aonde vocês vão às nove e meia da noite?

– Nós estávamos voltando de um congresso em Nova York – interveio Denny rapidamente. – Mitch achou que seria bom fazer uma visita, mas precisamos chegar a Cleveland até amanhã de manhã. Vamos viajar a noite toda só para estar a tempo no trabalho.

– Sei – disse ela baixinho, mas era difícil não perceber o sofrimento na voz.

– Quer saber de uma coisa? – Denny se levantou e começou a retirar os pratos. – Por que vocês dois não vão conversar um pouco na sala? Eu cuido disto aqui.

– Não, não – começou ela, mas Denny acabou conseguindo tirá-la da cozinha.

Quando ela saiu, ele calçou as luvas de látex amarelas dela e lavou todos os pratos. Limpou a pia, a bancada, a mesa, a geladeira e jogou fora as duas garrafas de cerveja que tinham bebido. Depois enfiou as luvas no bolso.

Meia hora mais tarde, ele e Mitch estavam saindo pela calçada da frente.

– Uma senhora simpática, gentil, grande cozinheira – afirmou Denny. – Uma pena a gente não poder ficar mais.

– Tudo bem. Temos o que fazer em Washington.

Denny deu-lhe um soco de leve ao ouvir isso. Parecia que Mitch estava se concentrando de novo, voltando ao seu antigo eu.

Assim que chegaram ao meio-fio, Denny parou de repente e estalou os dedos.

– Espere aí. Deixei minha carteira na bancada. Já volto.

– Eu pego – disse Mitch, mas Denny levantou a mão para impedi-lo.

– Nada disso, Mitchie. Você viu a cara da sua mãe. Não vai querer que ela chore de novo, vai?

– Acho que não.

– Claro que não. Agora entre no carro e não saia de lá. Eu volto num instante.