Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 68 de 129

Páginas do PDF

Fogo Cruzado

capítulo 64

 

ANTES DAS NOVE HORAS EU já tivera uma teleconferência de emergência com a Diretoria do FBI e o Grupo de Informações de Campo, já havia passado as informações para a prefeitura e já tinha feito uma reunião em separado com minha equipe da Polícia Metropolitana, que agora estava por inteiro no local.

A questão importante nesse ponto era saber se estávamos lidando com o atirador Patriota ou com outra pessoa. A maneira mais rápida de provar uma conexão, se houvesse, era por meio da balística, e Cailin Jerger, do laboratório do FBI em Quantico, foi trazida de helicóptero para uma consulta.

O helicóptero Bell preto pousando bem ali na via expressa deserta era uma visão incrível.

Corri para recepcionar Jerger e trazê-la para dentro.

Ela estava usando uma calça jeans e um agasalho de Quantico com capuz; provavelmente a haviam arrancado de sua sala de estar. Olhando aquela mulher miúda, despretensiosa, você jamais imaginaria que ela sabia mais sobre análise de armas de fogo do que qualquer pessoa num alcance de três estados.

Quando mostrei onde Tambour havia caído e a posição das quatro balas, ela me olhou com uma expressão de quem sabia das coisas. Não reagi, não falei nada. Queria que Jerger chegasse a suas próprias conclusões, sem interferência.

Na barraca de coleta de provas o mundo inteiro nos esperava. Do lado de fora havia uma porção de policiais e agentes, inclusive a maior parte da unidade de Tambour na Divisão de Narcóticos e Investigações Especiais. Lá dentro encontramos o chefe Perkins, Jim Heekin, da Diretoria, Max Siegel, vários chefes assistentes da Polícia Metropolitana, agentes especiais do FBI e alguns representantes do Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos. Jerger olhou o mar de rostos cheios de expectativa ao redor e depois mergulhou de cabeça no trabalho, como se ela e eu fôssemos os únicos ali.

Cada uma das quatro balas fora ensacada em separado e estava sobre uma mesa dobrável comprida. Três encontravam-se em condições relativamente boas. A quarta estava bem amassada, por motivos óbvios.

– Bom, sem dúvida são balas de fuzil – disse Jerger de imediato. – Mas não foram disparadas de um M110, como nos incidentes anteriores.

Ela pegou uma pinça na mesa e tirou uma das balas de dentro do saco. Depois usou uma lente que tirou de seu bolso para olhar a base.

– É, foi o que pensei. Um .388 – disse. – E está vendo esse “L” estampado aqui? Isso me diz que é um Magnum Lapua original. Esse tipo de fuzil foi desenvolvido especificamente para tiros de precisão a distância.

– Você pode obter algum tipo de informação sobre a arma a partir dos projéteis? – perguntei.

Ela encolheu um dos ombros.

– Depende. Vou dar uma olhada nos padrões de ranhuras no laboratório, mas vou logo avisando: esses brinquedinhos têm jaquetas bastante duras. As estrias serão mínimas.

– Alguma ideia inicial? – perguntei. – Estamos realmente empacados aqui.

Jerger respirou fundo. Não creio que ela gostasse de especular. Seu trabalho tinha tudo a ver com precisão.

– A não ser por uma falha no equipamento, não sei que sentido faria ter um M110 e usar outra coisa.

Ela levantou outro saco plástico e olhou para ele.

– Não me entenda mal. Essa é uma munição maravilhosa, mas em termos de disparo a distância, o 110 é um Rolls-Royce e todo o resto é... bem, o resto.

– Então você acha que foi outro atirador? – perguntou o chefe Perkins, influenciando a opinião dela mais do que deveria.

– Estou dizendo que seria meio estranho se não fosse, só isso. Não sei quais são as motivações do atirador. Quanto à arma em si, posso dizer que algumas possibilidades são mais prováveis que outras.

– Tipo...? – perguntei.

Ela disparou na mesma hora:

– M24, Remington 700, TRG-42, PGM 338. Essas são os tipos mais comuns, pelo menos em termos militares. – Depois ela olhou direto para mim, com uma espécie de sorriso acre. – Também tem o Bor. Já ouviu falar?

– Deveria ter ouvido?

– Não necessariamente – respondeu ela, e continuou me encarando. – Só que seria uma coincidência muito estranha. O calibre 388 dessa arma chama-se fuzil Alex.