Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 57 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 53

 

APÓS UM JANTAR REQUENTADO naquela noite, e muito depois que as crianças tinham ido para a cama, recebi um telefonema de Christine.

No segundo em que seu nome apareceu no identificador de chamadas me senti dividido. Não poderia simplesmente ignorá-la, mas a última coisa que desejava agora era falar com ela de novo. O único motivo para ter enfim atendido foi evitar que ela aparecesse novamente na minha casa.

– O que foi, Christine?

Na mesma hora pude ouvir que ela estava chorando.

– Foi errado o que você fez hoje, Alex. Não precisava me afastar daquele jeito.

Eu já estava indo do quarto para o escritório e esperei até fechar a porta para continuar.

– De certa forma eu precisava, sim – respondi. – Você apareceu do nada e, pior ainda, mentiu. Mais de uma vez.

– Só menti porque achei que nosso filho merecia ver a família junta!

Tínhamos começado a brigar em um tempo recorde, o que dizia algo sobre nós. Tudo aquilo me deixava exausto. Trazia de volta a sensação terrível que tive durante o processo judicial pela guarda do Ali.

– Ali vê a família junta todo dia – disse eu. – Só não vê a mãe.

Ela soluçou de novo.

– Como você pode dizer uma coisa dessas?

– Não estou tentando ferir você, Christine. Só estou dizendo a verdade. – Minha paciência estava por um triz. Christine era a única culpada pelo que estava passando, devido à sua postura inadequada como mãe.

– Bom, não se preocupe, porque você conseguiu o que queria. Eu estou no aeroporto.

– O que eu queria era que todos pudéssemos ser felizes com as escolhas que fizemos – respondi.

– Desde que a sua felicidade venha em primeiro lugar, certo, Alex? Não foi sempre assim?

E então minha paciência se esgotou.

– Você se lembra de quando me largou? – falei. – Você se lembra de como eu implorei para você ficar em Washington? Você se lembra de que abandonou o Ali? Que merda, alguma dessas coisas ao menos passa pela sua cabeça?

– Não grite comigo! – berrou ela de volta, mas eu não havia terminado.

– E agora? Você acha que basta aparecer aqui para mudar tudo o que aconteceu desde aquela época? A coisa não funciona assim, Christine, e eu não mudaria nada nem se pudesse!

– Não, não acho. – Agora sua voz estava controlada. Tensa como o couro de um tambor. – Parece que isso não basta.

Então desligou na minha cara. Fiquei atordoado, embora também aliviado. Talvez fosse algum tipo de teste para ver se eu ligaria de volta, mas não me senti nem um pouco tentado. Sentei-me no sofá do escritório olhando para o teto e tentando me controlar de novo.

Era quase chocante pensar em quanto eu tinha amado Christine. Na época não havia nada que eu quisesse mais do que formar uma família com ela. Agora parecia que aquele não era eu, e sim outra pessoa.

E eu só queria Christine fora da minha vida.