Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 28 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 24

 

INFELIZMENTE, A IMPRENSA estava frenética quando cheguei. Dezenas de câmeras disputavam um ângulo para enquadrar a casa de pedras brancas de Mel e Nina Dlouhy, fosse na frente das barreiras estabelecidas pelo sargento Ed Fleischman ou lá na Rua 31, para onde outro grupo fora despachado só para impedir que as pessoas passassem pelos fundos, o que com certeza fariam.

A maioria dos curiosos na rua, quando não era da imprensa, vinha provavelmente da Avenida Cleveland. Os vizinhos pareciam ter ficado em casa. Dava para ver silhuetas nas janelas num lado e no outro do quarteirão enquanto eu chegava de carro. Fiz contato com o pessoal da cena do crime e ordenei de imediato um grupo de entrevistas para começar a bater às portas.

Sampson se encontrou comigo no local, vindo direto de um evento de faculdade em Georgetown, onde sua mulher, Billie, era professora de enfermagem.

– Não é que eu esteja feliz por isso ter acontecido – disse ele –, mas quanto vinho e queijo a gente consegue consumir durante uma vida?

Começamos pela sala de estar, onde os Dlouhy deviam estar assistindo à TV. O aparelho continuava ligado, agora ironicamente com uma imagem em tempo real da casa.

– Isso é assustador – constatou Sampson. – A imprensa adora falar de invasão de privacidade, mas tudo bem quando os invasores são eles.

A declaração inicial da Sra. Dlouhy foi que tinha ouvido um som de vidro se partindo, olhou para a janela quebrada e então notou a cabeça do marido tombada, com os olhos arregalados, na poltrona ao lado da dela. Eu ainda podia ouvi-la chorando na cozinha com uma das nossas assistentes sociais e senti compaixão por ela. Que pesadelo!

Mel Dlouhy ainda estava sentado na poltrona. O único ferimento à bala, na têmpora, parecia relativamente limpo, com um pequeno halo preto-azulado em volta do buraco de entrada. Sampson apontou para o furo com a ponta de uma caneta.

– Digamos que ele tenha levado o tiro aqui – disse, e levantou a caneta uns 15 centímetros, até onde imaginava que a cabeça de Dlouhy estaria posicionada. – A bala teria vindo – ele desenhou uma reta com a caneta até apontar para o vidro quebrado – de lá.

– É um ângulo de cima para baixo – falei. A bala havia atravessado um dos vidros superiores de uma janela de 1,80 metro de altura, que dava para o quintal. Sem falar nada, nós dois fomos até a sala de jantar e saímos por uma porta dupla de vidro.

Um pátio de tijolos nos fundos levava a um quintal comprido e estreito. Dois holofotes na lateral da casa iluminavam mais ou menos metade do espaço, mas não parecia haver qualquer construção externa ou árvores de tamanho suficiente para sustentar o peso de alguém.

Do outro lado, os fundos da casa vizinha, de três andares, eram iluminados pelo poste da Rua 31. Dois carvalhos enormes ocupavam um grande espaço nesse quintal, que ficava quase totalmente obscurecido à sombra da casa.

– Você disse que não havia ninguém em casa? – perguntou Sampson. – Foi isso?

– Na verdade, eles estão fora da cidade – expliquei. – Alguém sabia exatamente o que estava fazendo. Talvez se mostrando. O atirador precisava zelar pela sua reputação depois daquele primeiro atentado.

– Presumindo que seja ele.

– É ele – respondi.

– Com licença, detetive? – De repente o sargento Ed Fleischman estava ali parado. Olhei para as mãos dele, para me certificar de que ele estava usando luvas.

– O que está fazendo aqui, sargento? Tem muita coisa para você fazer lá fora.

– Duas questões, senhor. Dois vizinhos informaram que viram veículos estranhos.

– Veículos, no plural?

Fleischman assentiu.

– É o que parece. Um Buick velho com placa de Nova York parado na rua em lugares esporádicos durante vários dias. – Ele olhou o bloco de anotações que tinha na mão. – E um utilitário grande, escuro, talvez um Suburban, bastante avariado. Esteve na rua por algumas horas ontem à noite.

Carros velhos não combinavam muito com aquele bairro, em especial fora do horário comercial. Tínhamos de buscar informações sobre os dois veículos de imediato.

– E a outra questão? – perguntei.

– O FBI está aqui.

– Diga a eles para mandarem a equipe de busca de provas para o quintal do vizinho.

– Não são “eles”, senhor. É um agente. Ele perguntou especificamente pelo senhor.

Olhando de volta para dentro, vi um sujeito alto e branco usando um terno comum entre os agentes do Bureau. Estava inclinado, com as mãos apoiadas nos joelhos e enfiadas em luvas azuis, olhando o buraco na cabeça de Mel Dlouhy.

– Ei! – gritei pela janela quebrada. – O que você está fazendo aí?

Ele não me ouviu ou não quis me atender.

– Qual é o nome dele? – perguntei a Fleischman.

– Siegel, senhor.

– Ei, Siegel! – gritei, e então me dirigi para a porta. – Não toque em nada aí!