Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 87 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 83

 

ERA POUCO MAIS DE MEIA-NOITE quando Denny se aproximou do Lincoln Town Car preto estacionado na Avenida Vermont e entrou. O homem que ele só conhecia como Zachary o esperava. Seu motorista/capanga anônimo de sempre estava ao volante.

– O relógio está correndo – disse Denny de imediato. – Precisamos resolver logo isso, antes que tudo venha à tona.

– Nós concordamos – respondeu Zachary. Como se a decisão fosse dele. Como se o figurão na torre de marfim, quem quer que ele fosse, não mexesse os pauzinhos, assinasse os cheques e desse as ordens.

Zachary pegou um envelope pardo no porta-volumes preso atrás do banco e entregou a ele.

– Este será nosso último acordo – informou. – Vamos lá, pegue.

Acordo. O cara era de mais.

No envelope havia dois dossiês, se é que se podia chamar assim: duas fotos, alguns parágrafos e uns mapas do Google colados em papel de rascunho, como um trabalho escolar malfeito. Onde quer que o chefão gastasse seus bilhões, com certeza não era na preparação de documentos.

Mas e quanto aos nomes nos dossiês? Esses eram impressionantes.

– Ora, ora – disse Denny. – Parece que o seu cara quer sair de cena com tiros de canhão. Não literalmente, foi só uma piadinha. Está incluída no preço.

Zachary empurrou seus óculos com armação de chifre mais para cima.

– Só... se concentre no material – disse.

Seria bom poder dar umas porradas nesse sujeito uma hora dessas. Nada excessivamente violento, só para ver alguma expressão na cara dele. Qualquer mudança já seria uma grande melhoria.

Mas não estava na hora de começar a vacilar. Por isso Denny manteve a boca fechada e ficou alguns minutos absorvendo as informações. Depois enfiou o envelope pardo de volta no lugar e se recostou de novo.

Agora essa parte já estava decorada. Zachary passou o braço por cima do banco, pegou a bolsa de lona com o Sr. Personalidade e a colocou no braço da poltrona. Denny pegou-a.

Pôde sentir na mesma hora que estava leve.

– Que diabo é isto? – disse e largou a bolsa de volta entre os dois.

– Isso – respondeu Zachary – é um terço do dinheiro. Você vai receber o restante depois. Desta vez vamos fazer as coisas de modo um pouco diferente.

– De jeito nenhum! – disse Denny, e num instante o motorista havia levantado e se virado por cima do banco com um gordo .45 enfiado na sua cara. Dava até para sentir o cheiro da pólvora. A arma fora usada havia pouco tempo.

– Agora escute – disse Zachary. Ou melhor, ronronou Zachary. – Você vai ser pago integralmente. A única mudança são nossos termos de entrega.

– Isso é babaquice! Vocês não deveriam estar me sacaneando agora.

– Só escute. Sua incompetência em Nova Jersey não foi apreciada, Steven. Agora que as autoridades sabem quem você é, isto aqui não passa de instinto de preservação empresarial. Portanto, vamos ter um final tranquilo para esta história ou não?

Não era uma pergunta de verdade, e Denny não respondeu. O que fez foi abaixar a mão e pegar de volta a bolsa de lona. Sua reação falava por si. O .45 foi tirado de sua cara e o motorista recuou, mas não se virou.

– Viu o carro parado atrás de nós? – perguntou Zachary baixinho, como se estivessem sentados batendo um papo amigável o tempo todo.

Sim, Denny tinha visto uma velha perua Subaru azul com placa da Virgínia. Seu radar de observador não era algo que ele ligasse ou desligasse quando quisesse.

– O que é que tem?

– Vocês precisam sair da cidade. Estão expostos demais aqui. Leve o Mitch para algum lugar discreto: Virgínia Ocidental ou onde você achar melhor.

– Assim? E o que vou dizer a ele? Ele já está fazendo perguntas de mais.

– Tenho certeza de que você vai pensar em alguma coisa. E leve isto. – Zachary entregou-lhe um celular Nokia prateado, supostamente criptografado. – Mantenha-o desligado, mas verifique pelo menos a cada seis horas. E esteja pronto para agir quando nós mandarmos.

– Só por curiosidade – disse Denny. – Que merda de “nós” é essa, afinal? Você ao menos sabe para quem está trabalhando?

Zachary passou a mão pela frente dele e abriu a porta do carro. A conversa estava encerrada.

– Esse é o seu grande pagamento, Denny – disse ele. – Não estrague tudo. E também não cometa mais nenhum erro.