Fogo Cruzado
capítulo 31
LISA GIAMETTI OLHOU PARA seu relógio, talvez pela 10a vez. Ia esperar mais cinco minutos e depois iria embora. Era incrível como algumas pessoas nem pensavam duas vezes ao fazer com que os outros perdessem tempo nesse negócio.
Quando haviam se passado quatro minutos e meio, um BMW azul-escuro parou e estacionou em fila dupla diante da casa. Antes tarde do que nunca. Belo carro.
Olhou os dentes no retrovisor, passou a mão pelo cabelo curto e castanho-avermelhado e saiu para encontrar o cliente.
– Sr. Siegel?
– Max – disse ele. – Desculpe a demora. Não estou acostumado com o trânsito da cidade.
Seu aperto de mão era caloroso, e ele era alto, moreno e gostoso o suficiente para ser logo perdoado. Considerando todo o contato visual, ela achou que ele também gostou do que viu. Sujeito interessante, tinha valido a pena esperar.
– Pode entrar – disse ela. – Acho que você vai gostar daqui. Eu, pelo menos, gosto.
Segurou a porta para que ele passasse primeiro. O lugar era uma fileira de casas apresentáveis na Rua 2, em Northeast, com o preço um pouco alto para o mercado de aluguéis atual, mas um bom negócio para o inquilino certo.
– O senhor é novo em Washington?
– Já tinha morado aqui e agora voltei – respondeu ele. – Na verdade, não conheço mais ninguém na cidade.
Ele estava usando o código: novo na cidade, sozinho, etc. Também não usava aliança. Lisa Giametti não era uma mulher fácil, mas sabia reconhecer um homem ávido por sexo quando encontrava um, e se algo por acaso acontecesse ali, bom, não seria a primeira vez.
Ela fechou a porta e trancou-a depois de entrarem.
– É um quarteirão ótimo – continuou. – O senhor pode ver os fundos do edifício da Suprema Corte do outro lado da rua. Ou seja, não é um lugar em que costumam acontecer muitas festas barulhentas. E tem um quintalzinho nos fundos com vaga para deixar o carro fora da rua.
Foram até a cozinha, de onde dava para ver a garagem.
– Não preciso dizer como isso pode ser útil por aqui.
– É – respondeu ele, olhando para um ponto abaixo do rosto dela. – Esse seu pingente é muito bonito. Você tem bom gosto, tanto para apartamentos quanto para joias.
O cara não perdia tempo, não era?
– E o porão? – perguntou ele em seguida.
– Como?
– Gostaria de ver o porão. Existe um, não existe?
Nesse ponto, em geral o visitante perguntaria pelos cômodos do andar de cima. Talvez até pelo quarto, se ela estivesse decifrando o sujeito corretamente. Mas tanto fazia. O cliente sempre tem razão, em especial com uma aparência daquelas.
Ela deixou a pasta na bancada da cozinha, abriu a porta do porão e conduziu-o pela velha escada de madeira.
– O senhor pode ver que ele é bom e seco. A fiação foi refeita e a lavadora e a secadora têm apenas alguns anos.
Ele deu uma volta pelo cômodo, assentindo.
– Eu poderia trabalhar muito aqui embaixo. E teria bastante privacidade, também.
De repente ele deu um passo na sua direção e ela recuou de costas em direção à máquina de lavar.
Se houvesse alguma dúvida sobre onde aquilo iria parar, ela logo se dissipou. Lisa sacudiu o cabelo.
– Quer ver o andar de cima?
– Claro que quero, só que não agora. Você se importa, Lisa?
– Não, acho que não.
Quando ela foi beijá-lo, ele enfiou a mão entre suas pernas ao mesmo tempo, subindo por baixo da saia. Era um pouco presunçoso – e gostoso também.
– Já faz um tempo – disse ele, em tom de desculpas.
– Dá para ver – respondeu ela, e puxou-o mais para perto.
Então, antes que eles cuidassem da papelada que ainda esperava na bancada da cozinha, no andar de cima, Lisa Giametti teve a transa de sua vida, bem ali na lavadora com dois anos de uso. Foi gostoso, obsceno e maravilhoso.
E a comissão de 12 por cento também foi muito boa.