Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 72 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 68

 

TODOS OS ÔNIBUS DOS PRIMEIROS horários da manhã estavam enfileirados na rua do lado de fora da Union Station quando cheguei. Sampson já havia isolado os fundos do terminal e havia guardas de trânsito com coletes laranja em toda parte indicando para onde as pessoas deviam ir. Mais uma dor de cabeça colossal, mas pelo menos não era minha.

Parei ali e subi em direção ao gigantesco andar principal do estacionamento. Sampson estava me esperando com um café grande em cada uma das mãos.

– Estou odiando este caso, benzinho. Odiando de verdade – disse ele, entregando-me o combustível matinal.

Fomos para a parte de trás, onde eu podia ver uma fila de grandes caçambas de lixo marrons encostadas na parede que ficava na Rua H. Só uma delas estava aberta.

– Desta vez a pessoa está nua – informou Sampson. – E todos os números estão nas costas. Você vai ver. Além disso, parece que ela foi esfaqueada, não morta a pancadas. No geral, é uma cena bem feia.

– Certo – respondi. – Vamos ver o que temos aí. – Calcei minhas luvas e fui examinar os danos.

Ela encontrava-se virada de bruços em cima dos detritos – na maior parte, sacos de lixo do terminal. Os números estavam entalhados em sua pele em duas fileiras paralelas dos dois lados da coluna. Mas não era uma equação. Era outra coisa.

N38º 55’46.1958”

O94º40’3.5256”

– São coordenadas de GPS? – perguntei.

– Se forem, seria curioso ver para onde elas apontam – disse Sampson. – Esse cara está evoluindo, Alex.

– Alguém mexeu no corpo?

– A perícia ainda não chegou. Não sei por que a demora, mas acho que não deveríamos esperar mais.

– Concordo. Que modo de começar o dia! Me dê uma mão aqui.

Nós dois respiramos fundo e entramos na lixeira. Era difícil nos movimentarmos com os sacos se mexendo embaixo dos nossos pés e mais ainda manter a cena inalterada. Pegamos a vítima o mais rápido que pudemos e a viramos gentilmente.

O que vi me fez cair de bunda na mesma hora. Inclinei-me por cima da borda da lixeira e, pela primeira vez em muito tempo, quase coloquei para fora tudo o que tinha no estômago.

Sampson estava bem ali, junto de mim.

– Alex, você está bem? O que foi?

O gosto de metal enchia minha boca; fiquei tonto com a descarga de adrenalina, por ter sido apanhado tão desprevenido.

– Ela é uma agente, John. Do FBI. Lembra-se? Do caso DCAK. É Anjali Patel.