Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 79 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 75

 

EU ESTAVA FICANDO EM CASA o máximo possível, inclusive o tempo que deveria passar no escritório. Juntando Kyle Craig, o atirador Patriota e esses novos homicídios dos números, o sótão estava mais atulhado de coisas do trabalho do que nunca. Isso significava um monte de fotos das cenas de crime, por isso eu disse às crianças que era proibido entrar ali por enquanto, o que explicou o telefonema que recebi de Jannie naquela tarde.

– Alô, Alex, aqui é Janelle, a Exilada, ligando das terras longínquas do segundo andar.

Minha filha sempre foi muito espirituosa. Eu simplesmente tento ficar à altura.

– Saudações, ó Janelle. Como vão as coisas aí nas regiões das profundezas?

– Você tem visita, papai – disse ela, de volta à realidade. – Tem um homem chamado Sr. Siegel aí na porta. É agente do FBI.

A princípio achei que tinha ouvido mal. O que Max Siegel estaria fazendo na minha casa? A última vez que havíamos nos visto tinha sido a pior de todas.

– Papai?

– Estou descendo – respondi.

Quando cheguei ao segundo andar, Jannie ainda estava esperando ali. Desceu a escada atrás de mim, mas eu lhe disse para ficar dentro de casa.

Então saí e fechei a porta.

Siegel estava nos degraus da frente, usando calça jeans e uma jaqueta preta de motoqueiro. Além disso, tinha um capacete preto numa das mãos e um saco de papel pardo na outra.

Um dos nossos seguranças, David Brandabur, havia se posicionado na varanda, entre Max e a porta.

– Tudo bem, David – falei. – Eu o conheço.

Esperamos que David retornasse ao seu carro antes que qualquer um falasse.

– O que está fazendo aqui, Max? – perguntei.

Siegel subiu mais um degrau, apenas para que pudesse me entregar o saco. Pude ver de imediato em seu rosto que algo havia mudado.

– Eu não sabia direito do que você gosta – disse ele.

Tirei do saco uma garrafa de uísque 12 anos. Era uma espécie de oferta de paz, supus, mas quando se tratava de Siegel eu realmente não sabia o que pensar.

Ele deu de ombros.

– Eu sei, eu sei. Agente Esquizofrênico, certo?

– Algo do tipo.

– Escute, Alex, sei como é trabalhar comigo. Eu levo tudo para o lado pessoal. Não deveria, mas levo. Sou muito passional. Talvez isso seja parte do que me torna bom no que eu faço, porém às vezes também posso ser um grande escroto.

Eu queria dizer: “Às vezes?”, mas achei melhor ouvir o que ele tinha a dizer.

– De qualquer modo – continuou –, passei aqui para dizer que sei que você está bem atolado de trabalho e, se houver alguma coisa em que eu possa ajudar, me avise. Qualquer coisa no FBI ou até mesmo apoio na segurança aqui para a casa, alguém para fazer um turno à noite ou algo assim.

Ele olhou para meu rosto inexpressivo e enfim sorriu.

– Verdade. Sem truques. Sem babaquices.

Eu queria acreditar em Siegel. Sem dúvida isso tornaria as coisas mais fáceis. Mas meu instinto ainda era desconfiar dele. Não podia simplesmente afastar essa sensação só porque ele apareceu com uma oferta de paz.

Então a porta se abriu atrás de mim e de repente Bree estava ali.

– Tudo bem aí fora? – perguntou ela.

Siegel deu um risinho.

– Acho que minha reputação já me precedeu.

– Na verdade, temos um serviço de informações adolescente sentado na escada lá dentro – disse Bree. Ela estendeu a mão, sempre pacificadora. – Meu nome é Bree Stone.

– Detetive Stone – disse ele. – Claro. Prazer em conhecê-la. Sou Max Siegel. O pesadelo de Alex no FBI. Às vezes nós vemos as coisas de modo um pouco diferente.

– Foi o que ouvi dizer – respondeu ela, e os dois riram. Na verdade, foi meio surreal. Esse era um lado do Siegel que eu nunca tinha visto: o lado amigável, interessado em todo mundo, menos nele próprio. E parecia ter saído do nada.

– Max veio trazer isto – falei, mostrando a garrafa de uísque.

– Isso mesmo. – Siegel desceu um degrau em direção à calçada. – Bom, missão cumprida. Prazer em conhecê-la, detetive.

– Não quer ficar para um drinque? – ofereceu ela, e apertou minha mão. – O dia já está quase no fim. Tenho certeza de que todos podemos relaxar um pouco.

Não havia fingimento nisso; nós sabíamos o que ela estava tentando fazer. Siegel me olhou e deu de ombros. Era a minha vez de reagir e, honestamente, eu gostaria de ter dito não, mas parecia que acabaria criando mais problema do que o necessário.

– Entre – disse eu, abrindo caminho para ele. – Mi casa es su casa, Max.

Lá dentro, Jannie havia recuado até a mesa da cozinha. Nana e Ali também estavam em casa, no meio de um jogo de cartas. Era a última obsessão do Ali, mas todos pararam e levantaram a cabeça quando aparecemos.

– Pessoal, esse é o agente Siegel. Max, esses são Regina, Jannie e Ali.

Os olhos de Ali se arregalaram diante do capacete de motoqueiro e Siegel colocou-o diante dele.

– Vá em frente, baixinho. Pode experimentar.

– Tudo bem – falei ao Ali.

Peguei alguns copos e gelo e dois refrigerantes para as crianças. Nana foi abrir o armário em que guardamos os salgadinhos e biscoitos, mas balancei a cabeça dizendo que não, de uma forma que só ela visse.

– Você tem uma bela casa – disse Siegel, olhando pela janela para o quintal. – Uma paisagem linda no meio da cidade.

– Obrigado. – Entreguei-lhe uma dose pequena do uísque, depois servi uma para Bree, outra para mim e uma com água para Nana.

– Aos recomeços – disse Bree objetivamente, levantando seu copo.

– Ao verão que vem aí! – cantarolou Ali.

Siegel sorriu para ele e pôs a mão em seu ombro.

– E a esta boa família – disse ele. – É um grande prazer conhecer vocês todos.